Caracol pintado cubano: o gastrópode mais bonito do mundo

Cuba é casa para mais de 1,4 mil espécies de caracóis terrestres. Entre elas, as seis espécies do gênero Polymita, também conhecidas como caracóis pintados, são de longe as que mais chamam a atenção pela beleza rara. O caracol de fogo, por exemplo, apresenta um contraste magnífico entre vermelho e preto.

Mas poucas criaturas conseguem chegar ao mesmo patamar de beleza do caracol pintado cubano. Se pararmos por apenas 1 segundo para apreciar as impressionantes cores em sua concha, rapidamente conseguiremos entender o motivo de serem considerados os gastrópodes mais bonitos do planeta. Então vamos conhecer um pouco mais dessa espécie.

Espiral de cores

(Fonte: ReInspire Photography)(Fonte: ReInspire Photography)

Os caracóis pintados habitam uma faixa fina de vegetação na costa leste de Cuba, onde se alimentam principalmente de líquenes (simbiose de fungos e algas) e musgos cheios de minerais. Inclusive, é essa alimentação que faz que a concha dos animais dessa espécie seja tão colorida. 

Por viverem em um habitat relativamente pequeno, esses gastrópodes são vulneráveis ao desmatamento por cafeicultores, ao consumo por predadores nativos e introduzidos, bem como às mudanças climáticas. Mesmo assim, o fator que mais coloca esses belos caracóis em apuros tem um único nome: caça predatória.

No passado, era comum que os habitantes coletassem conchas de caracóis pintados cubanos para vender como lembranças para turistas — tudo sem ameaçar o futuro da espécie. Porém, o aumento da demanda global por parte de colecionadores e comerciantes fez que isso se tornasse um verdadeiro problema e a espécie entrasse para a lista de animais ameaçados de extinção.

Comércio ilegal e medidas protetivas

(Fonte: Discovery Channel Austrália)(Fonte: Discovery Channel Austrália)

Atualmente, colecionar caracóis pintados cubanos que estão para venda em Cuba ou vendê-los no comércio internacional é estritamente proibido. O trabalho feito pelas autoridades locais até aqui tem sido considerado bastante eficiente para evitar que os turistas levem conchas de caracol como lembrança.

Mas se esse tem sido um aspecto positivo, a luta contra o comércio ilegal organizado para o mercado paralelo tem tido menos sucesso. Por mais que medidas tenham sido implementadas para impedir que a espécie desapareça de uma vez por todas, ainda existe um trabalho intensivo para ser feito nos bastidores.

Em entrevista ao National Geographic, Reynaldo Estrada, pesquisador da Fundação Antonio Núñez Jiménez para a Humanidade e a Natureza, comentou os acontecimentos recentes. "De fato, existem redes de tráfico organizadas em Cuba. O verdadeiro comércio ilegal para o mercado paralelo está ligado a uma equipe bem organizada de pessoas", comentou. 

Como tentativa final, cientistas têm tentado educar tanto a população de Cuba quanto os estrangeiros sobre a vulnerabilidade dos gastrópodes e sua raridade crescente. Existe um trabalho constante de diálogo com os fazendeiros locais para convencê-los a ter maior preocupação com os caracóis que habitam suas propriedades e incentivar a reprodução da espécie.

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