Como a música da banda AC/DC tem ajudado nas pesquisas para o câncer

Com sucessos eternos, como "Highway to Hell" e "You Shook Me All Night Long", a música da banda australiana de rock AC/DC, formada em 1973 pelos irmãos escoceses Malcolm e Angus Young, acabou servindo muito mais do que apenas arrastar multidões de milhares de fãs e impregnar para sempre na memória da história popular — ela também entrou para o campo da ciência médica.

Pesquisadores da Universidade da Austrália Meridional descobriram que tocar rock, especificamente a música "Thunderstruck", da banda, têm ajudado na administração do coquetel de drogas durante o tratamento de quimioterapia, tornando o processo mais eficiente.

(Fonte: Letras/Reprodução)(Fonte: Letras/Reprodução)

Como relata Nico Voelcker, o pesquisador sênior do estudo, revestir uma micropartícula é considerado fundamental para entregar a quantidade ideal de medicamentos a uma célula cancerosa. “Normalmente, nós inflamos o plasma na superfície, mas o problema de fazer isso é que você forma um revestimento em apenas um lado da partícula, o que está exposto”, disse ele à Ultimate Rock.

Foi então que ele e sua equipe tiveram a ideia de usar um alto-falante tocando a música, fazendo as notas vibrarem e as partículas saltarem. A frequência caótica do som funcionou bem, possibilitando que os pesquisadores criassem um revestimento mais homogêneo à célula.

Um olhar para o futuro

(Fonte: News Medical/Reprodução)(Fonte: News Medical/Reprodução)

Eles escolheram a canção "Thunderstruck" devido aos seus ritmos, que melhoraram significativamente o tempo que o polímero de plasma levou para revestir a célula e também pela conexão com o trabalho.

“O plasma é o quarto estágio da matéria, é um gás ionizado”, ressaltou Voelcker. “Usamos um plasma frio, mas um exemplo de plasma quente seria os raios do trovão. Acabamos usando a "Thunderstruck" porque gostamos de como ela liga o trovão e o gás ao plasma”, ele falou.

(Fonte: Soundcloud/Reprodução)(Fonte: Soundcloud/Reprodução)

Os pesquisadores preencheram essas micropartículas com uma droga quimioterápica chamada camptotecina, descobrindo que as vibrações da música causavam uma liberação marcadamente mais lenta da droga citotóxica. Esse efeito bateu positivamente com o tempo de revestimento do polímero de plasma, variando de 2 vezes até mais de 100 vezes, revelando um atraso significativo no início da morte celular.

Até então, a técnica só foi usada em medicamentos quimioterápicos, mas poderá ser usada em outros remédios. “Isso é algo que não foi feito antes, principalmente com revestimentos de plasma”, disse Voelcker.

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