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Como surgiu a inteligência no ser humano?

Nossos parentes primatas mais próximos, os chimpanzés, compartilham conosco 98,8% de seu DNA. Essa semelhança se estende, sem nenhuma surpresa, aos nossos cérebros. Porém, a lacuna dos 1,2% de DNA, por menor que seja, parece fazer toda a diferença, especialmente quando o tema é o surgimento e evolução de nossa inteligência.

Mas como nosso cérebro se desenvolveu a ponto de ser capaz de realizar coisas tão complexas?

Teorias

Ninguém sabe exatamente de onde vem a inteligência. O que sabemos é que algo aconteceu no processo de evolução do cérebro humano que nos permitiu viver nossa própria evolução individual. O que é exatamente  esse “algo” é que permanece um mistério.

No entanto, existem algumas teorias que tentam explicar, ao menos uma parte, do porque temos a inteligência tal como ela é.

Genes

O professor de Neurociência Molecular, Seth Grant, da Universidade de Edimburgo (Reino Unido), realizou alguns estudos comparando as habilidades mentais de humanos e ratos.

Ele e sua equipe descobriram que as funções mentais superiores em humanos e camundongos são controladas pelos mesmos genes.

A pesquisa de Grant, descrita em dois artigos publicados na Nature Neuroscience, também demonstrou que os genes são importantes para os diversos níveis de inteligência: quando esses genes eram danificados ou alterados, as funções mentais superiores também eram prejudicadas.

Segundo o professor, os resultados do seu estudo indicam que o preço de ter comportamentos mais complexos e um nível maior de inteligência é mais doença mental. Não por acaso, ele e sua equipe já haviam demonstrado que mais de 100 doenças cerebrais entre adultos e crianças tinham como causa mutações genéticas.

Plasticidade

Já a plasticidade, diz que o cérebro humano é mais plástico que o de que outros na natureza. Ou seja, tem espaço para se desenvolver e se reestruturar, por isso, é capaz de aprender mais com o ambiente do que outros animais. E, quanto mais aprendemos coisas novas, mais nossos neurônios criam conexões entre si.

Seleção pela inteligência

Mais recentemente, uma nova teoria surgiu entre os pesquisadores do cérebro humano. Ela sugere que os seres humanos foram beneficiados por algo chamado de seleção pela inteligência e isso tem muito a ver com bebês humanos.

Quando comparados com outros mamíferos, somos extremamente indefesos quando bebês. Levamos meses e até anos para desenvolver habilidades básicas. Por outro lado, há animais que desenvolvem habilidades fundamentais quase que imediatamente após o nascimento.

Um exemplo disso são os bebês cavalos que já andam assim que deixam o ventre da mãe. Já nós, levamos cerca de um ano para aprender a andar.

Segundo a seleção pela inteligência, os humanos precisam cuidar dos bebês por muito mais tempo, e esse cuidado exige inteligência. 

Sendo assim, há milhares de anos, pais pouco inteligentes deixaram seus filhos morrerem por doenças, sede, engolidos por predadores ou com fome. Logo, os genes dos mais inteligentes que permaneciam vivos eram passados para a próxima geração.

Nossa inteligência vem da cozinha

A neurocientista brasileira, Suzana Herculano-Houzel, pioneira em uma das técnicas mais precisas de contagem de neurônios, diz que cozinhar foi a chave para desenvolvermos a inteligência.

A neurocientista explica que nosso cérebro é o órgão que mais consome energia. Quando aprendemos a cozinhar, descobrimos uma forma de enganar a natureza.

Como isso facilitou para o corpo digerir os alimentos, acabamos criando uma reserva de energia, já que tudo ficou mais fácil para nosso organismo.

Dessa forma, conseguimos extrair mais calorias que outros animais da mesma quantidade de comida. E parte dessa energia reserva foi aproveitada pelo nosso cérebro, possibilitando que ele se desenvolvesse melhor, criando capacidades cognitivas e conexões complexas melhorando nossa inteligência ao longo de nossa evolução.

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