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Por que a vacina contra malária levou 35 anos para ser criada?

Se nós aprendemos alguma coisa nos últimos dois anos é que a natureza dos vírus é completamente mutável. Essa é uma característica que garante a sua sobrevivência e torna o seu combate ainda mais complexo.

A recente aprovação da vacina contra a malária pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é um exemplo de como o processo de desenvolvimento de vacinas pode ser longo, caro e cheio de imprevistos. Após décadas de pesquisa, testes e investimentos podemos comemorar a existência de um imunizante com eficácia entre 71% e 77%.

Marco histórico: resultado de 35 anos de pesquisa

Segundo o Relatório Mundial sobre Malária, publicado pela Organização Mundial da Saúde, o ano de 2021 registrou um novo recorde no número de infectados. Fechamos o ano registrando 241 milhões de casos da doença e 627 mil mortes.

Apesar desse número de grandes proporções, o desenvolvimento da vacina em aplicação hoje foi conquistado somente após 35 anos de estudos e testes. Porém, esse processo de pesquisa começou ainda no final da década de 1960. Os primeiros protótipos de imunizantes começaram a ser aplicados em 1980 quando pesquisadores foram capazes de identificar a proteína presente no parasita.

Complexidade no processo de pesquisa

Mesmo assim, não houve uma ampla vacinação devido à complexidade do ciclo de vida do parasita que causa a malária. Isso quer dizer que uma vacina desenvolvida para combater um dos estágios seria ineficiente quando o parasita fizesse a transição para a próxima fase de sua vida.

Outro fator que atrasou os esforços foi a falta de tecnologia para auxiliar o processo de pesquisa. Mesmo os testes realizados no final dos anos 1990 e início dos anos 2000 apresentavam somente 34% de sucesso na prevenção de casos.

a(Fonte: Shutterstock)

Imunização em larga escala

Esse resultado, foi o que deu origem à vacina RTS, S, que hoje é globalmente utilizada no combate à malária. A coincidência com a pandemia de covid-19 também causou repercussão, uma vez que, se recursos tivessem sido alocados com o mesmo senso de urgência, a malária poderia ser uma doença erradicada.

Hoje, mais empresas farmacêuticas estão comprometidas com o desenvolvimento de novos modelos de vacina com o intuito de aumentar a sua eficácia e prevenir a incidência da doença nos países mais afetados, como é o caso da África a da América Latina.

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