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Estudo atribui à cloroquina 17 mil mortes na 1ª onda de covid-19

A controvérsia em torno do uso da cloroquina para tratar a covid-19 ganha novos contornos com um estudo recente, conduzido por pesquisadores das universidades de Lyon, na França, e Quebec, no Canadá.

A pesquisa, publicada com ressalvas na edição de fevereiro da revista científica Biomedicine & Pharmacotherapy, estima o impacto mortal da hidroxicloroquina, sugerindo que o medicamento pode ter contribuído para cerca de 17 mil mortes durante a primeira onda da pandemia.

Mortalidade associada ao uso da cloroquina

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Examinando os dados hospitalares de seis países — Bélgica, França, Itália, Espanha, Estados Unidos e Turquia —, os pacientes identificaram um aumento de 11% na taxa de mortalidade de pacientes hospitalizados que receberam o tratamento com cloroquina. Dentre os países pesquisados, os Estados Unidos lideram as estatísticas, com cerca de 7,5 mil mortes estimadas.

Além de examinar as implicações diretas na mortalidade, o estudo aprofunda a análise dos riscos colaterais associados ao uso prolongado da hidroxicloroquina. Os riscos cardiovasculares identificados, como distúrbios de condução cardíaca, destacam-se como uma preocupação adicional ao considerar o uso indiscriminado desse medicamento no contexto da covid-19.

Essa revelação coloca em xeque a prática de adotar tratamentos sem evidências sólidas, especialmente em situações emergenciais. Os resultados indicam não apenas a falta de benefícios, mas também um possível aumento no risco de complicações e até morte associado ao uso do medicamento.

Limitações do estudo e necessidade de evidências sólidas

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Os autores do estudo reconhecem as limitações de sua pesquisa, destacando imprecisões ou ausência de informações de diversos países. Isso se deve, principalmente, à falta de dados disponíveis suficientes para avaliar os resultados, o que representa um desafio significativo na obtenção de uma imagem completa e precisa do impacto do uso da hidroxicloroquina.

Essa falta de dados precisos sugere que o número de mortes estimado pode ser tanto sub quanto superestimado. Por isso, os cientistas enfatizam a importância de produzir rapidamente evidências de alto nível por meio de testes clínicos aleatórios em situações de emergência. A conclusão é clara: a extrapolação de tratamentos de condições crônicas para condições agudas sem dados robustos pode resultar em consequências fatais.

O estudo franco-canadense revela um lado sombrio do uso da cloroquina na luta contra a covid-19, sugerindo que o medicamento pode ter contribuído significativamente para o aumento da mortalidade durante a primeira onda da pandemia. Esse alerta sobre os perigos da prescrição off-label destaca a importância de basear as decisões médicas em dados confiáveis, visando a segurança e a eficácia no tratamento de condições emergentes.

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