Como nossos corpos se adaptam a temperaturas extremas?
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Como nossos corpos se adaptam a temperaturas extremas?

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Você já conferiu aqui no Mega Curioso um artigo sobre quanto frio um ser humano é capaz de suportar, explicando que os efeitos das baixas temperaturas variam de pessoa para pessoa, mas que quando estamos a 27 graus negativos é preciso ficar alerta e tentar ao máximo aquecer o corpo.

Agora, você vai saber mais um pouco sobre como os nossos corpos se adaptam a temperaturas extremas, seja frio ou calor, e como funciona esse processo.

No vídeo abaixo você pode ver um homem que claramente não está sentindo muito frio. O norueguês nativo alcançou renome viral há algumas semanas na internet, quando patinou e nadou no gélido lago Goksjo quase nu, exceto por uma sunga e uma boia de gelo usada em volta do pescoço.

Como ele não congelou? E, não, isso não tem a ver apenas com a vodka que ele está mandando para dentro.

Aclimatação

De acordo com diversos estudos já realizados sobre os mistérios do corpo humano, o segredo para nos adaptarmos a temperaturas extremas é um processo fisiológico gradual conhecido como aclimatação. Nossos corpos podem se acostumar com ambientes frios ou quentes igualmente, mas como esse processo funciona?

Antes de tudo, é preciso estabelecer uma distinção importante entre a resposta fisiológica imediata e a de longo prazo. Nossos corpos podem reagir a temperaturas extremas rapidamente — um exemplo é a sua capacidade de suar, que é uma resposta fisiológica quase que imediata. Porém, o mecanismo do suor é uma caracterização imprecisa de aclimatação.

Fonte da imagem: Shutterstock

A aclimatação refere-se às respostas fisiológicas de uma origem mais profunda: a programação hormonal e metabólica que rege não só a sua tendência de suar, mas como você vai suar, quando e até mesmo a quantidade de sódio que o seu suor carrega consigo. É como um termostato incrivelmente inteligente.

Este sistema de regulação de temperatura é controlado em grande parte por uma colaboração entre o hipotálamo e a glândula pituitária, e gera uma série de respostas fisiológicas. Estas incluem a prontidão com a qual você desvia o sangue para os vasos em sua pele (que tem um efeito de resfriamento), o ritmo e a sensibilidade do seu batimento cardíaco.

As respostas fisiológicas também incluem a produção de energia térmica do seu corpo e a distribuição de recursos corporais para proteger o seu fígado, cérebro, rins e outros órgãos vitais. A aclimatação faz com que o corpo sofra alguns ajustes para otimizar a função dessas respostas em relação ao ambiente.

Ou seja, um mecanismo de sudorese não configura aclimatação, mas sim a capacidade do seu corpo em se ajustar às temperaturas mais quentes para transpirar mais rápido e mais profusamente, com uma menor concentração de sódio.

Frio e calor

Um exemplo de aclimatação acontece com atletas de esportes praticados em temperaturas extremas. De acordo com o site iO9, um bom exemplo é Kilian Jornet Burgada, um dos corredores de montanhas mais formidáveis ​​desta ou de qualquer geração.

Jornet passou a sua adolescência brincando nas montanhas dos Pirineus espanhóis a uma altitude de 6,5 mil pés (quase 2 mil metros) em baixíssimas temperaturas. "Quando você é nascido e criado na altitude, você tende a ter um volume de sangue maior e uma contagem de células vermelhas mais alta para armazenar mais oxigênio”, explica um fisiologista ao The New York Times.  

Kilian Jornet Burgada Fonte da imagem: Reprodução/Race Place

Isso se traduz em maior resistência e melhor desempenho no esporte. A aclimatação ao calor e ao frio ocorre de forma semelhante, com ajustes fisiológicos profundos que se tornam hormonalmente e metabolicamente impregnados ao longo de grandes períodos de tempo.

No entanto, isso não quer dizer que você tenha que ser necessariamente nascido e criado nos Pireneus espanhóis para suportar a vida no frio. De um modo geral, quanto mais tempo você gasta em um ambiente, mais adaptado o seu corpo se torna na realização de algumas condições particulares, como mergulhar em águas gélidas. 

Exposição constante

De acordo com vários estudos realizados a partir dos anos 1960 em diante, cerca de 10 a 14 dias de exposição a temperaturas relativamente mais altas ou mais baixas do que se está acostumado são o suficiente para começar a colher os benefícios da aclimatação.

Por exemplo, um estudo recente liderado pelo pesquisador Wouter D. van Marken Lichtenbelt apoiou descobertas anteriores de que dez dias de exposição ao frio foram suficientes para aumentar a capacidade do corpo em gerar calor, sem tremer. Os pesquisadores observaram que, após a aclimatação ao frio, as cobaias passaram a sentir o ambiente controlado como mais ameno, sentiram-se mais confortáveis no frio e demonstraram menos tremores.

Fonte da imagem: Shutterstock

Conforme os pesquisadores, o aumento da produção de calor ocorre com uma elevação da atividade no tecido adiposo marrom, em paralelo com um aumento na termogênese. O principal objetivo fisiológico desse tecido adiposo é gerar calor de forma independente do efeito do frio, ajudando na aclimatação.  

“Após a exposição prolongada ao frio, os tremores diminuem gradualmente, mas o gasto de energia permanece elevado, indicando aumento da termogênese sem tremores. Esta adaptação metabólica ao longo do tempo é chamada de termogênese adaptativa. Em roedores, essa adaptação pode ser totalmente atribuída ao tecido adiposo marrom. Estudos em humanos demonstraram que a prolongada exposição ao frio em homens saudáveis ​​também resultou em uma diminuição gradual de tremores, enquanto que a produção de calor permaneceu elevada”, explicou o pesquisador Marken Lichtenbelt. 

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