O que você faria se escutasse uma música ininterruptamente na sua cabeça?
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O que você faria se escutasse uma música ininterruptamente na sua cabeça?

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Está para existir uma coisa mais irritante do que ficar com uma música grudada na cabeça, não é mesmo? E, na maioria dos casos, o único jeito de fazer com que a canção vá embora é esperar. Quando a música é bacaninha até que é legal, mas chega uma hora que enjoa. Já quando o que não sai da cabeça é aquele hit que você detesta, mas todo mundo está ouvindo, a situação é ainda pior.

Agora imagine uma única música tocando na sua cabeça permanentemente, sem parar, para sempre. Parece o fim do mundo, né?! Pois saiba que, por mais que seja uma rara condição, esse distúrbio é considerado um tipo de alucinação musical e faz com que a pessoa que sofre com o problema escute a mesma música o dia todo, todos os dias.

Outra característica comum da alucinação é que os sons são incrivelmente realistas, ou seja, é como escutar um rádio. Prova disso é que, quando os primeiros sinais começam a aparecer, a pessoa que não está acostumada com o problema pode chegar a questionar os outros para saber se também não ouvem a música.

Fonte da imagem: Shutterstock

Alguns pacientes ouvem diferentes canções, enquanto outros ficam presos a uma única opção. Curiosamente, independente do número de músicas que toquem sem parar dentro da cabeça, ainda não se sabe de nenhum caso em que a pessoa escute a voz e a letra da música.

O que a ciência tem a dizer

Instigados pelas possíveis causas da alucinação musical, os médicos Dr. Victor Aziz e Dr. Nick Warner examinaram 30 pacientes. Em primeiro lugar, eles notaram que as vítimas mais recorrentes eram pessoas idosas, com idade média de 78 anos. Também foi possível notar que o problema era mais frequente entre as mulheres e em pessoas que já sofriam de algum tipo de deficiência auditiva.

Os pacientes mostraram que ouvem diferentes tipos de música – que variam entre canções populares, infantis e religiosas. Aziz acredita que essas músicas não sejam exatamente aleatórias e tenham uma relação com a juventude, talvez indicando canções que foram emocionalmente importantes no passado.

Além disso, os especialistas realizaram tomografias para acompanhar a atividade cerebral dos pacientes. Eles notaram que a atividade no córtex primário (responsável por identificar o tom e o volume dos sons) era normal. Por outro lado, o córtex secundário (que está relacionado com a harmonia, a melodia e o ritmo) e o terciário (que nos permite processar uma música como um todo) apresentavam atividades fora do comum.

Fonte da imagem: Shutterstock

A partir daí, os pesquisadores passaram a acreditar que essas duas estruturas estão trabalhando mais do que deveriam, o que faz com que estejam constantemente buscando impulsos e sinais que possam ser transformados em música. E, quando não havia qualquer tipo de som no canal auditivo, os córtices passavam a interpretar qualquer sinal criado pelo cérebro como música. Isso explica o fato de pessoas com deficiência auditiva sofrerem com o distúrbio. Porém, os pesquisadores ressaltam que pacientes que têm epilepsia, que contraíram doença de Lyme ou fazem uso de certos tipos de droga também estão sujeitos a esse tipo de distúrbio.

Embora alguns pacientes tenham feito tratamento com medicamentos antipsicóticos, os psiquiatras acreditam que as drogas utilizadas para lidar com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) possam trazer melhores resultados, mas ainda é preciso comprovar essa hipótese. Longe do uso de substâncias fortes, o que os pacientes que sofrem com a alucinação podem fazer é realmente escutar música. Dessa maneira, o cérebro pode processar sinais sonoros reais e acalmar a atividade dos córtices.

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