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Como e quando usar o travessão nos textos?

Na prática, o travessão (—) é um verdadeiro mistério para algumas pessoas — mas não precisa ser. Tanto é que já comecei a coluna desta semana empregando exatamente esse sinal de pontuação.

(Fonte: Giphy)(Fonte: Giphy)

Vou explicar melhor. Na gramática normativa da língua portuguesa, o travessão tem regras específicas de uso, que podem ser resumidas da seguinte maneira:

1. Travessão para separar palavras ou orações explicativas ou enfatizadas (como o caso da primeira frase da coluna de hoje)

Exemplos:

Um bom ensino — diga-se mais uma vez — exige a valorização do professor.

Eles dizem — embora ninguém acredite — que são de confiança.

As duas personagens — mãe e filha — tiveram um desfecho marcante na série.

A presença feminina em cargos de liderança representa, obviamente, um passo importante — que deve ser encarado como apenas o primeiro de muitos.

2. Travessão no discurso direto

Para mostrar o início da fala de uma personagem, a mudança de interlocutores e a mudança para o narrador por meio de um verbo de elocução — aqueles que anunciam o discurso, como “dizer”, “perguntar”, “responder”, “comentar”, entre outros. 

Exemplos:

— Quanto tempo até o Centro? — perguntou a senhora.

— Uns 15 min. — respondeu o motorista.

— Obrigada!

Não confunda travessão com hífen e meia-risca

É preciso atenção para não confundir travessão com hífen e meia-risca. Para começar, observe como o tamanho de cada sinal é diferente:

  • Travessão: (no teclado do computador, use o atalho Alt + 0151)
  • Meia-risca: – (no teclado do computador, use o atalho Alt + 0150)
  • Hífen: -

Além disso, os contextos de uso são bem diferentes. Enquanto o travessão segue as regras listadas no início da coluna, a meia-risca deve ser empregada para ligar as extremidades de um intervalo, como em “ponte aérea Rio–São Paulo” e “1970–1998”. 

Já o hífen é bem mais frequente, marcando presença em contextos como substantivos compostos (ex.: matéria-prima), palavras formadas por derivação prefixal (ex.: micro-ondas), colocação pronominal (ex.: levá-la), divisão silábica, entre outros.

Até semana que vem!

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Debora Capella, colunista semanal do Mega Curioso, é mestre em Estudos da Linguagem e atua nas áreas de revisão, edição, tradução e produção de textos há 15 anos.

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