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Pepinos-do-mar: por que essa 'iguaria' marítima é tão cara?

Quando saímos para comprar pepino na feira, geralmente encontramos esse fruto na faixa de R$ 2 o quilo. Porém, outro tipo de pepino, o pepino-do-mar, uma espécie de animal invertebrado que vive nas partes mais profundas dos oceanos, está sendo vendido atualmente por US$ 3 mil, cerca de R$ 17,3 mil, o quilo.

Fonte: Steven Purcell/ReproduçãoFonte: Steven Purcell/Reprodução

O site de notícias Business Insider entrevistou o doutor Steven Purcell, do Centro de Pesquisa de Ecologia Marinha da Southern Cross University, em Lismore, na Austrália. Hoje, ele é a maior autoridade do mundo sobre os pepinos-do-mar, animais estranhos que não têm membro nem olhos: apenas “uma boca e um ânus, além de um monte de órgãos entre eles”, explicou o cientista.

Embora sejam considerados iguarias na Ásia há muitos anos, foi somente na década de 1980 que o consumo de pepinos-do-mar explodiu, devido à ascensão de uma nova classe média na China, que passou a consumir o produto como artigo de luxo. Secos e embalados em caixas ornamentais, os animais passaram a ser dados como presentes e em ocasiões especiais. "Quanto mais espetados, mais caros", disse Purcell.

A mania do pepino-do-mar

Fonte: Mandarin Oriental/Pinterest/ReproduçãoFonte: Mandarin Oriental/Pinterest/Reprodução

Transformado em experiência gastronômica, que vai de US$120 por um pacotinho de 200 gramas secos na Amazon até o espécime japonês que custa US$ 3,5 mil o quilo, os pepinos-do-mar são também procurados por conter altas concentrações de glicosaminoglicano fucosilado em sua pele, uma substância química usada no tratamento da artrite e de alguns tipos de câncer.

Com a disparada da demanda, os pepinos-do-mar ficaram mais caros e raros, com isso aumentando as mortes de mergulhadores tentando capturá-los nas profundezas do mar. Além disso, das 70 espécies existentes, 7 delas foram classificadas como ameaçadas de extinção, forçando a proibição de pescas, o que prejudicou diversas economias locais.

Fonte: Healthline/ReproduçãoFonte: Healthline/Reprodução

A solução encontrada pelos exportadores, a aquicultura de algumas variedades, já está sendo praticada no Japão e na China, como um negócio altamente rentável, porém com alta demanda de investimentos e dedicação. Muitas larvas do animal morrem em cativeiro antes de atingir a idade adulta, e as que sobrevivem costumam levar até 6 anos para adquirir um tamanho comercial.

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