Síndrome da gaiola: o medo que impede que os jovens saiam de casa

De que o isolamento social é uma estratégia fundamental, não há nenhuma dúvida. No entanto, após mais de um ano de pandemia, alguns comportamentos observados, principalmente entre crianças e adolescentes afastados das escolas, começam a se revelar preocupantes. 

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Com o passar do tempo, o nível de ansiedade com a ideia de se contaminar em uma possível volta às aulas tem feito com que esses jovens fiquem totalmente apavorados com a ideia de sair de casa.

Observado no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no qual 55% dos inscritos para a prova impressa e 71% na versão digital não compareceram, esse comportamento arredio tem sido chamado pelos especialistas de "síndrome da gaiola”, remetendo-o ao de certos pássaros que, após passar muito tempo em cativeiro, não voam, mesmo que a porta da gaiola esteja aberta. 

Falando ao site Guia do Estudante, a psicóloga e orientadora pedagógica do Colégio Oficina do Estudante, Priscila Gil Neto, conta que adolescentes que foram a lugares públicos, após muito tempo em casa, sentiram-se mal. Para ela, alguns já apresentam transtornos psicológicos, como depressão ou TOC.

Como superar o medo?

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Segundo Gil Neto, “o isolamento gera grandes marcas emocionais. Por isso, é importante trazer o adolescente de volta para atividades cotidianas de forma saudável". Dessa forma, ressaltando que cada caso tem suas peculiaridades, a psicóloga deu algumas orientações para auxiliar pessoas que estejam vivendo essa situação.

Não se force a simplesmente voltar a fazer tudo como antes

Não é possível retomar a vida como se nada tivesse acontecido. A sugestão é que cada um respeite os seus limites e vá avançando. Dê um passo de cada vez, até conseguir assumir suas atividades normais.

Mantenha contato com os amigos mesmo que virtualmente

Como a falta de experiências presenciais tem se revelado uma das maiores fontes de angústia, afastar-se dos amigos pode piorar a situação. Portanto, busque manter suas amizades por perto, seja por vídeo, áudio ou texto. 

Aceite a ajuda da família e da escola

Antes que o quadro possa piorar, ouça e confie na sua rede de apoio. Afinal, as pessoas mais próximas de nós são as primeiras a notar as mudanças de comportamento. 

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