Coreia do Norte: o país planejado para que ninguém consiga escapar

02/11/2021 às 06:003 min de leitura

Devido à rigidez social e ao regime fechado implantado no país, a Coreia do Norte formou, ao longo das últimas décadas, uma verdadeira muralha física e ideológica ao seu redor, com muitas autoridades e cidadãos mundiais nem sequer sabendo o que ocorre dentro dos limites do país. Porém, em meio a relatos de sobreviventes e desertores, sabe-se que o governo local vem operando com uma forte inflexibilidade que impossibilita a melhor qualidade de vida para os nativos, forçando as fugas como única solução de uma existência digna.

Infelizmente, mesmo a solução mais lógica é feita com uma certa relutância, já que o país foi projetado para não deixar os norte-coreanos fugirem. Desde os limites geográficos da região até a estratégia militar de forte repressão adotada pelo exército, tudo visa dificultar a vida do cidadão para fora do território, e muitos acabam adotando medidas desesperadas e suicidas para encontrar um pouco de felicidade e condições apropriadas em outras regiões.

O sul sitiado

Conflitos históricos entre as Coreias resultaram na construção de uma faixa de terra de 4 quilômetros de largura e 250 quilômetros que circunda a fronteira dos países. A região, conhecida como Zona Desmilitarizada, foi assinada em acordo conjunto em 1953 e evidencia uma guerra que dura mais de 60 anos, apesar de os termos bélicos de paz terem sido afirmados no mesmo ano de fundação.

(Fonte: Wired / Reprodução)(Fonte: Wired/Reprodução)

Um cidadão norte-coreano que queira fugir de seu país para o sul deve enfrentar uma das maiores resistências do planeta, visto que ninguém pode cruzar as fronteiras entre os países. A Zona Desmilitarizada, responsável por garantir que não haja invasores, tem centenas de milhares de minas terrestres espalhadas pela sua extensão, além de mais de 2 milhões de soldados fortemente armados que vigiam constantemente qualquer movimento no local.

Entre o final da década de 1990 e 2020, a Coreia do Sul recebeu uma média de mil refugiados anuais como causa da Marcha Árdua, período de fome e crise social causadas pela dissolução da antiga União Soviética. A fuga dessas pessoas para o país rival se deu pelo simples fato de os sulistas reconhecerem imediatamente a cidadania de moradores da nação vizinha, responsabilizando-se por dar abrigo, condições de vida e inseri-los na democracia liberal.

Casos curiosos ocorreram de cidadãos desesperados para fugir da Coreia do Norte para a do Sul. Em 2017, um norte-coreano dirigiu seu carro em direção ao muro que separa ambos os países. Ao colidir, ele logrou êxito ao fugir do veículo em chamas, saltar a grade de segurança e ultrapassar os limites de sua nação, mas foi resgatado por tropas sul-coreanas com cinco tiros no corpo, perdendo metade de seu sangue. Enquanto isso, em novembro de 2020, um ex-ginasta norte-coreano fugiu ao pular aproximadamente 3 metros de altura, conseguindo asilo na Coreia do Sul.

A segurança no norte

Outra alternativa para quem desejar escapar da Coreia do Norte é buscar entrar em países do norte. Porém, diferentemente da Coreia do Sul, nações como China e Rússia têm políticas rigorosas em relação aos refugiados, deportando-os imediatamente para suas origens caso sejam identificados. Além disso, o consulado da Coreia do Sul nesses países está posicionado taticamente para que raras pessoas consigam alcançar, sendo instalado em pontos distantes das fronteiras e vigiados por policiais locais.

(Fonte: Getty Images / Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

Uma das cidades da China conhecida por abrigar cidadãos coreanos é a província de Yanbian, com cerca de 2,3 milhões de habitantes. Lá, milhares de pessoas oriundas das Coreias conseguiram se naturalizar chinesas, mas muitos fugitivos nem sequer encontram essa oportunidade, tanto pela dificuldade em passar muito tempo anônimo na região autônoma quanto pelo alto valor cobrado por serviços de "custódia", já que desconhecidos exigem até US$ 18 mil (cerca de R$ 101 mil, em conversão direta) para ajudá-los a se manter escondidos.

E o mar?

Fugir pelo mar é uma opção viável, mas apenas para quem tem condições de arcar com altos custos para comprar botes ou embarcações. Como os norte-coreanos recebem, em média, um salário anual equivalente a US$ 1,3 mil (cerca de R$ 7,3 mil, em conversão direta), a única solução seria atravessar quase mil quilômetros de extensão marítima para o Japão em tábuas de madeira ou de forma braçal, contando com a sorte para evitar imprevistos.

Além de ter águas relativamente quentes, o Mar do Japão, a oeste do Pacífico, está sujeito a diversos fenômenos naturais, como o surgimento de fortes concentrações de vapor d'água, tufões e tsunamis. As ilhas espalhadas pelo território também são espaçadas, remotas e com recursos limitados, dificultando a sobrevivência de quem quer que as alcance.

Punição para fugitivos

Vale lembrar que a Coreia do Norte também aplica severas punições para fugitivos capturados, transportando-os para campos de concentração onde devem trabalhar forçadamente pelo resto de suas vidas ou condenando os prisioneiros à morte. E caso o cidadão escape com sucesso, mas deixe sua família no país, os integrantes pagam pelo crime e tornam-se as vítimas do regime local, sofrendo castigos que podem ser até mais severos como forma de retaliação.

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