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O guia que auxiliava pessoas LGBTQIA+ nos anos 1960

A comunidade LGBTQIA+ tem tido, aos poucos, sua memória resgatada por histórias e documentos que, até pouco tempo, eram descartados. Um resgate recente é o do International Guild Guide, um guia publicado pela primeira vez em 1964 nos Estados Unidos e que continha listas de restaurantes, bares e outros estabelecimentos simpáticos ao movimento gay da época.

Este tipo de material, hoje considerado documento histórico, é muito importante pois revela pelo menos dois aspectos. O primeiro é que a comunidade LGBTQIA+ estava cada vez mais organizada e crescente durante a chamada era Stonewall. O segundo é que um guia destes existia porque gays corriam riscos altíssimos de apanhar ou ir presos caso fossem em alguns lugares.

O surgimento do Internactional Guild Guide

(Fonte: Smithsonian Mag)(Fonte: Smithsonian Mag)

O Internactional Guild Guide era um dos vários guias que estavam surgindo na mesma época. Ele foi publicado pelo editor H. Lynn Womack, do Mississipi, um grande ativista do movimento queer que costumava ser retratado na imprensa como um "albino gordo e gay", em tom que deixava evidente a homofobia vigente.

Vale notar então que o guia surgiu no sul dos Estados Unidos, região considerada muito conservadora. Depois de obter experiência no mercado editorial com outras revistas, Womack lança a nova publicação em 1964. Ela era destinada a homens gays que quisessem viajar para outros países, mas continha também informações sobre locais em cidades americanas.

Suas indicações traziam códigos que orientavam os leitores sobre como se vestir ou se portar nos estabelecimentos. "D" significava que o local tinha dança, e "S", que tinha shows de drag queens. "E" apontava que as roupas usadas no local deveriam ser elegantes, e "AYOR" significava "vá lá por sua conta e risco".

Informações históricas contidas no guia

(Fonte: Houston LGBT History)(Fonte: Houston LGBT History)

O guia é hoje considerado uma relíquia importante no registro da história desta comunidade, uma vez que traz informações muito relevantes — como, por exemplo, um pedido para que qualquer erro contido nele fosse imediatamente relatado. O editor, portanto, sabia que uma informação errada poderia significar riscos graves aos leitores.

O guia também servia como apoio para as pessoas gays que quisessem escolher lugares seguros onde jantar ou almoçar. O mais interessante aqui é notar que vários restaurantes e bares contidos não eram destinados exclusivamente ao público LGBTQIA+.

Na edição de 1967, por exemplo, havia a indicação do Ruth's Tea Room, que era um refúgio seguro para gays e pessoas negras, que também eram discriminadas. Os donos, inclusive, eram afro-descendentes.

Havia também o restaurante italiano Mamma Mia, em Atlanta, localizado na rua Peachtree Street, que se tornou um centro da cultura gay na década de 1960. Já o Rathskeller, um restaurante alemão na cidade de Chattanooga, servia joelho de porco e sopa de marisco para todos os tipos de público.

Em suma, o International Guild Guide trazia várias informações importantes e mostrava que mesmo nos já longínquos anos 1960, haviam estabelecimentos que se propunham a difundir a tolerância e celebrar as diferenças.

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