Indício mais antigo da existência de vida na Terra pode ter sido descoberto
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Indício mais antigo da existência de vida na Terra pode ter sido descoberto

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Há alguns meses, conforme noticiamos em uma matéria aqui do Mega Curioso, um grupo de cientistas da Universidade de Woollongong, na Austrália, encontrou um fóssil na Groelândia que parece mostrar sinais de que havia atividade biológica na Terra a 3,7 bilhões de anos atrás — indicando que a vida pode ter surgido por aqui milhões e milhões de anos antes do que se pensava.

Pois não é que um novo fóssil, mais antigo ainda que o encontrado no ano passado, também parece mostrar evidências da existência de vida na Terra? Desta vez, o material foi descoberto no cinturão de rochas verdes Nuvvuagittuq, no Canadá, e conta com sinais que podem ter sido produzidos por micróbios há 3,8 bilhões de anos como mínimo — e possivelmente 4,28 bilhões de anos atrás, batendo a idade do fóssil anterior.

Acima, o fóssil encontrado pelos cientistas da Universidade de Woollongong

Aliás, se os cientistas que encontraram esse material estiverem certos, isso significa que a vida pode ter surgido aqui na Terra apenas algumas centenas de milhões de anos após a formação não só do nosso planeta, mas também da Lua, do Sol e do próprio Sistema Solar. Na verdade, se a descoberta for confirmada, as implicações podem ser imensas.

Nova descoberta

O fóssil em questão foi descoberto em uma região do Canadá que contém algumas das rochas sedimentares mais antigas do planeta e que costumava abrigar um sistema de fontes hidrotermais que se encontrava submersa. Na realidade, se trata de microfósseis, e as evidências de atividade biológica consistem em minúsculos tubos que possivelmente foram criados por organismos microscópicos que teriam surgido ao redor das fissuras das fontes.

Rocha descoberta no Canadá contendo os microfósseis

De acordo com os cientistas, esses microrganismos possivelmente se alimentavam do ferro e de outros elementos que circulavam através das rochas no fundo do mar, e os tubos e filamentos foram descobertos em um fragmento de rocha extremamente antigo rico em ferro conhecido como jaspe — um tipo de mineral que normalmente se forma em ambientes hidrotermais.

Tubos e filamentos

Os pesquisadores acreditam que, depois que os microrganismos morreram, o ferro presente na água foi se acumulando ao redor de seus corpos em decomposição e, com o tempo, substituindo sua estrutura orgânica, criando os minúsculos tubos e filamentos que os cientistas descobriram.

Origem da vida

As descobertas dos últimos anos vêm desafiando o nosso entendimento sobre quando a vida surgiu no nosso planeta. O consenso era de que isso teria ocorrido entre 3,4 e 3,5 bilhões de anos, no entanto a análise dos microfósseis indica que os primeiros organismos podem ter surgido 300 milhões de anos antes que isso e, conforme mencionamos anteriormente, se confirmada, a identificação dos fósseis pode ter implicações imensas.

Tubos e filamentos descobertos durante a análise da rocha

Isso porque, além de contribuir para nosso entendimento de como a vida surgiu na Terra, a descoberta pode nos ajudar a buscar vestígios de vida em outros planetas também. Conforme explicaram os cientistas, o fato de eles (possivelmente) terem descoberto os microfósseis em depósitos hidrotermais que surgiram tão cedo na história do planeta apoia a já famosa teoria de que a vida surgiu a partir desse tipo de ambiente.

Outro detalhe da análise dos microfósseis

Ainda sobre o ambiente onde esse material foi encontrado, os pesquisadores explicaram que suas semelhanças com fósseis mais recentes e bactérias modernas apontam que a metabolização do ferro estava presente entre as primeiras formas utilizadas para que a vida pudesse se sustentar sozinha no planeta.

A descoberta pode mudar a forma como encaramos a origem e a busca de formas de vida em outros planetas

Ademais, lembrando que os microfósseis sugerem que a vida conseguiu se estabilizar e se desenvolver no nosso planeta quando provavelmente também existia água em sua forma líquida em Marte, isso significa que, se as condições na superfície dos dois planetas eram parecidas, então a vida pode ter surgido por lá também há alguns bilhões de anos.

A mesma ideia se aplicaria a milhões de planetas jovens que provavelmente existem pelo Universo — e que apresentam condições semelhantes às da Terra alguns milhões de anos após a sua formação: um local constantemente bombardeado por asteroides, com um ambiente considerado inóspito para os padrões humanos, submetido a variações radicais a cada centena de anos, e cuja superfície é coberta de lava derretida e água.

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