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O que aconteceria se todos os vulcões da Terra entrassem em erupção juntos?

De acordo com as estimativas, existem cerca de 1,5 mil vulcões potencialmente ativos espalhados pelo planeta, sem contar os que se encontram submersos no oceano. Desses, aproximadamente 500 entraram em erupção desde que existem registros históricos desses eventos, e algumas delas tiveram consequências catastróficas, conforme nós aqui do Mega Curioso já explicamos em matérias que você pode acessar através deste link e deste também.

Agora, imagine que todos esses 1,5 mil vulcões decidam entrar em erupção de uma vez. Quais seriam as consequências de um evento desses para a Terra, e quais seriam as chances de que os seres vivos que habitam o planeta sobrevivessem? Não é necessário ser nenhum gênio para intuir que as coisas ficariam bem feias por aqui, não é mesmo?

Desastroso

Becky Oskin, do portal Live Science, conversou com o geólogo Parv Sethi, da Universidade Radford, na Virginia, que explicou se todos os vulcões potencialmente ativos do planeta entrassem em erupção juntos, esse evento desencadearia um efeito dominó que afetaria o ambiente de forma ainda mais intensa do que um inverno nuclear. Aliás, segundo o especialista, ele não gostaria de sobreviver por aqui nessas condições!

Terra infernal

De acordo com Sethi, os rios de lava seriam um grande perigo para aqueles que vivem próximo aos vulcões. No entanto, os principais problemas resultantes de um cataclismo vulcânico seriam as cinzas e os gases que liberados na atmosfera. Conforme explicou, as erupções mais explosivas poderiam lançar partículas e gases até a estratosfera, e esse material todo envolveria o planeta em uma espessa camada que bloquearia a passagem dos raios solares.

Com isso, a Terra ficaria na escuridão e o processo de fotossíntese seria interrompido, resultando na perda de cultivos inteiros e na dramática queda da temperatura global. O pior é que, segundo as estimativas de Sethi, as cinzas poderiam levar até 10 anos para se dissipar da atmosfera!

Terráqueos, RIP

Conforme disse Sethi, uma porção de gases perigosos, entre eles o cloreto de hidrogênio (que é a forma gasosa do ácido clorídrico), o fluoreto de hidrogênio, o sulfeto de hidrogênio e o dióxido de enxofre seriam liberados na atmosfera, resultando em chuvas ácidas que matariam as plantas que tenham sobrevivido sob as camadas de cinzas. Sem falar que essas precipitações ainda contaminariam os aquíferos e os oceanos, provocando a sua acidificação.

O maior problema seria o acúmulo de material na atmosfera

No caso dos oceanos, esse processo levaria à morte massiva de corais e criaturas marinhas dotadas de conchas, e as extinções afetariam toda a cadeia alimentar oceânica, destruindo, eventualmente, peixes e outras formas de vida marinha. Na verdade, existem registros de que a acidificação das águas poderia estar relacionada com as extinções que ocorreram no Permiano-Triássico, no Triássico-Jurássico e no Cretáceo.

Curiosamente, como as erupções vulcânicas também liberam dióxido de carbono — um dos famosos gases de efeito estufa —, se 1,5 mil delas começassem a cuspir esse composto na atmosfera, os ecossistemas seriam drasticamente afetados e os terráqueos cozinhariam na superfície. Ainda existira a possibilidade de a composição atmosférica ser permanentemente alterada. E aí, caro leitor, seria a vez dos organismos extremófilos dominarem a Terra.

Segundo Sethi, essas criaturas já estão acostumadas a sobreviver em ambientes extremos — em com níveis de acidez prá lá de altos —, como é o caso dos organismos que vivem nas fontes termais que existem em Yellowstone ou, ainda, das que habitam as saídas hidrotérmicas no fundo do mar.

Uma das muitas fontes termais que existem no Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA

A saída para os seres humanos, de acordo com Sethi, seria viver em órbita ao redor da Terra em colônias espaciais ou, quem sabe, em abrigos submarinos — mas, para sobreviver, seria necessário permanecer bem longe da superfície até a poeira baixar. Entretanto, como essas opções apresentam uma série de limitações, o geólogo aposta que os sortudos seriam aqueles que morreram durante as erupções. E você, caro leitor, concorda?

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