Saiba como prevenir a sífilis, uma doença mais comum do que você imagina
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Saiba como prevenir a sífilis, uma doença mais comum do que você imagina

Equipe MegaCurioso
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A maioria das pessoas não gosta muito de falar a respeito das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), e muitas simplesmente evitam o assunto por acreditar que estão imunes ao problema — seja por crer que não pertencem a um grupo de risco ou por estar em relacionamentos estáveis. O uso da camisinha masculina ou feminina em todas as relações sexuais é a medida mais eficaz de prevenção das IST.

Treponema pallidum

Veja, por exemplo, o caso da sífilis. Ela é provocada pela bactéria Treponema pallidum e apresenta diferentes sintomas dependendo do estágio clínico da infecção — primário, secundário, latente e terciário.

Como identificar a sífilis?

Na sua fase primária, a sífilis pode se manifestar por meio de ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria — pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele —, que aparece entre 10 e 90 dias após o contágio.

Esses sintomas são típicos da fase secundária da doença

O estágio seguinte, o secundário, começa a se manifestar entre seis semanas e seis meses do aparecimento da ferida inicial e depois de sua cicatrização espontânea. Nessa fase, aparecem manchas no corpo, especialmente nas palmas das mãos e nas plantas dos pés.

Na sequência, evolui para a fase latente, cerca de um ano depois do contágio, que se caracteriza pela ausência de sinais e sintomas. Porém, a pessoa continua com a infecção, transmitindo-a durante as relações sexuais desprotegidas.

Por último, a doença avança para a fase terciária — e os sinais podem aparecer entre dois e até 40 anos depois do contágio, apresentando lesões de pele, problemas ósseos, cardiovasculares e neurológicos, que podem levar à morte.

Até os bebês podem ser contaminados!

A transmissão da sífilis pode acontecer através de relações sexuais sem o uso da camisinha. Entretanto, ela também pode ser passada pela mãe à criança durante a gestação, causando a sífilis congênita. Em mulheres não tratadas, a transmissão é de 70% a 100% nas fases primária e secundária da doença.

Pode haver consequências, como aborto, natimorto, parto pré-termo, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, lesões de pele e malformações, com mortalidade em torno de 40% nas crianças infectadas. Se a criança nascer com sífilis congênita, ela deve ficar internada para tratamento por 10 dias, necessitando realizar uma série de exames antes de receber alta.

Mulheres: atenção redobrada especialmente na gravidez

Apesar de todas as informações a respeito das IST, das formas de transmissão e de todas as campanhas de prevenção que circulam pelo país, infelizmente, os casos de sífilis congênita vêm aumentando no Brasil. Para você ter uma ideia, de acordo com dados do Ministério da Saúde, entre os anos de 1998 e 2016, foram registrados 142.961 casos em menores de 1 ano de idade.

Além disso, só em 2015, mais de 19.228 casos de sífilis congênita foram notificados, com uma taxa de incidência de 6,5 bebês infectados a cada mil nascidos vivos. O incremento entre 2013 e 2014 foi de 26,77%, e entre 2014 e 2015, foi de 20,91% no número absoluto de casos novos diagnosticados.

A transmissão de mãe para filho é de 70% a 100% nas fases primária e secundária da doença

No Brasil, em linhas gerais, em 2015, as maiores proporções de casos de sífilis congênita ocorrem em crianças cujas mães têm entre 20 e 29 anos de idade (51,6%) e possuem escolaridade entre a 5ª e a 8ª série incompleta (29,9%).

Dentre as gestantes que fizeram o pré-natal,  51,4% foram diagnosticadas com sífilis durante a gravidez, e só 13,9% tiveram seus parceiros tratados. Destaca-se que 32,8% das gestantes com sífilis foram diagnosticadas no terceiro trimestre de gestação, o que configura diagnóstico tardio, dificultando a prevenção da sífilis congênita.

O uso de preservativos é a medida mais eficaz para prevenir as ISTs

Apesar de as estatísticas apontarem que determinadas parcelas da população são afetadas com mais frequência — conforme mencionamos no início da matéria —, qualquer pessoa que não tomar as devidas precauções pode se infectar.

Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado for positivo, tratar corretamente a mulher e sua parceria sexual. A penicilina benzatina é a única opção de tratamento seguro e eficaz na gestação para a prevenção da sífilis congênita, devendo ser administrada na Atenção Básica. A sífilis é uma doença séria e deve ser combatida!

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