Cuidado: visitar Jerusalém pode te deixar malucão
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Cuidado: visitar Jerusalém pode te deixar malucão

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Considerada sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos, a cidade de Jerusalém vem servindo como um imã para uma enorme quantidade de peregrinos religiosos. No entanto, a crença de uma pequena parte desses visitantes pode ser tão forte que a ida à cidade pode dar origem a efeitos assustadores, incluindo ideias obsessivas, alucinações ou outros tipos de surtos psicóticos.

De acordo com alguns psicólogos, a condição é chamada de “síndrome de Jerusalém” e pode acontecer mesmo com pessoas sem qualquer histórico de doença mental. A doença foi identificada pela primeira vez no ano 2000 por um grupo de pesquisadores israelenses, que publicou um artigo no Jornal Britânico de Psiquiatria após ter examinado 1.200 turistas que foram recebidos no Centro de Saúde Mental Kfar Shaul da cidade entre 1980 e 1993.

Degraus da loucura

Os visitantes foram diagnosticados com “problemas mentais severos gerados por Jerusalém” e podem ser divididos entre três variedades. O primeiro tipo consistia de pessoas que já haviam sofrido anteriormente com doenças psicóticas e acreditavam ser personagens da Bíblia. Um turista dos EUA, por exemplo, sofria de esquizofrenia paranoide, achava ser ninguém menos que Sansão e insistiu em tentar mover um dos blocos de pedra na muralha a oeste da cidade.

Os pacientes com a segunda variante são aqueles já exibiam alguns sinais de desordens mentais, mas não tinham passado por surtos completos – incluindo alguns grupos cristãos que se estabelecem em Jerusalém para esperar pelo retorno de Jesus. Um exemplo foi um alemão que era obcecado por encontrar a religião “verdadeira” e, após ir para a cidade para estudar o judaísmo, acabou tendo um ataque psicótico na Basílica do Santo Sepulcro.

Já os integrantes to terceiro tipo da síndrome, por sua vez, são muito mais raros – somente 42 dos 1.200 pacientes no artigo se encaixam nessa classificação. Segundo os estudiosos, essas pessoas não tinham qualquer histórico de doença mental, sofreram um episódio psicótico enquanto estiveram em Jerusalém e se recuperaram espontaneamente depois que deixaram Israel.

Parte de um todo

Mesmo com os dados, alguns psiquiatras questionam o diagnóstico da “síndrome de Jerusalém” e afirmam ser mais provável que ela faça parte de uma psicose mais ampla. “Vemos coisas desse tipo surgirem periodicamente na literatura, com pessoas achando que encontraram uma síndrome única, mas ela pode ser só o resultado de uma doença mental subjacente”, diz Simon Rego, do Centro Médico Montefiore, em Nova York.

Em um comentário sobre o estudo, também publicado pelo Jornal Britânico de Psiquiatria, outros pesquisadores ressaltaram que era lamentável que os autores não tenham incluído dados epidemiológicos sobre a condição. Entre essas informações omitidas estão os fatores que podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver a síndrome, ou aqueles que podem proteger alguém contra a sua aquisição ou permanência.

Segundo Alan Manevitz, psiquiatra clínico do Hospital Lenox Hill, em Nova York, a psicologia possui muitos registros com exemplos de supostas síndromes psicóticas únicas, que muitas vezes resultam da mistura entre a vulnerabilidade prévia do paciente com outros elementos. “Fatores históricos, incluindo cultura e contexto, podem influenciar a forma como as alucinações ocorrem”, afirma.

Seja ela verdadeira ou não, o fato é que a “síndrome de Jerusalém” vem ganhando repercussão e chegou até mesmo a aparecer em um episódio do controverso desenho animado Os Simpsons. No décimo-sexto episódio da vigésima primeira temporada do programa, a família viaja para a cidade santa e Homer passa a creditar ser um novo messias.

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