Embriões híbridos de humanos e porcos poderiam salvar vidas no futuro?
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Embriões híbridos de humanos e porcos poderiam salvar vidas no futuro?

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Por mais que existam pessoas superdispostas a doar seus órgãos, a verdade é que a demanda é muito, muito maior do que a disponibilidade — e milhares de indivíduos morrem todos os anos enquanto esperam pelo transplante. Por conta desse tipo de dificuldade, os cientistas vêm trabalhando no sentido de encontrar alternativas para driblar a escassez, como produzir órgãos em laboratório, por exemplo.

Uma nova saída se refere à criação de embriões híbridos de humanos e porcos. A técnica, proposta por pesquisadores da Universidade da Califórnia, consiste em combinar células-tronco humanas com o DNA dos animais, com o objetivo de produzir um embrião e, então, órgãos humanos. Essas “quimeras” inclusive já foram implantadas em fêmeas e deixadas em seus corpos por 28 dias antes de serem removidas, analisadas e descartadas com sucesso.

Técnica promissora

De acordo com os cientistas, a ideia é deixar que os embriões se desenvolvam no interior dos porcos e que os fetos deem origem aos órgãos necessários para os transplantes. De momento, o procedimento envolve a “edição” do código genético dos futuros filhotes para que eles não tenham o pâncreas e, depois, injetar células-tronco humanas em seus organismos para que elas produzam os órgãos que serão usados nos transplantes dentro dos bichinhos.

Imagem: Pixabay

Segundo explicaram, os cientistas estão freando o processo de desenvolvimento aos 28 dias — nessa etapa da pesquisa, eles estão se dedicando a monitorar o comportamento das células humanas nos embriões. Segundo explicaram, para criar o porquinho contendo o órgão para transplante seriam necessários 114 dias, sem falar que as diretrizes éticas internacionais não permitem que o desenvolvimento dos fetos ultrapasse o período de quatro semanas.

Outra curiosidade sobre a técnica é que, embora o órgão humano seja estranho ao organismo do animal, os cientistas explicaram que a rejeição não ocorre, porque, como o bichinho se encontra no estágio embrionário, seu sistema imunológico ainda não foi desenvolvido. Por certo, os porcos foram eleitos os candidatos para a pesquisa devido ao fato de os órgãos desses animais apresentarem muitas semelhanças com os dos humanos.

Imagem: Pixabay

Além disso, os cientistas optaram por escolher o pâncreas para desenvolver a pesquisa, porque esses órgãos raramente são adquiridos para transplante. Isso porque eles não podem ser obtidos de doadores vivos e começam a se degradar muito rapidamente após a morte do paciente, impossibilitando o procedimento. Teoricamente, a técnica envolvendo os porcos poderia ser usada para a criação de outros órgãos também, como os rins e o coração.

Implicações éticas

O procedimento é, sem dúvida, muito promissor, mas ele ganhou muitos críticos dentro e fora da comunidade científica. Para os defensores do desenvolvimento dos híbridos, o procedimento poderia pôr um fim à falta de disponibilidade de órgãos para transplante e evitar que milhares de pessoas morram todos os anos no mundo.

Imagem: Pixabay

Por outro lado, também temos os que estão preocupados com o bem-estar dos animais e com a possibilidade de que algumas doenças possam ser transmitidas dos porcos aos humanos. Sem falar nas implicações éticas e o debate sobre os limites da pesquisa genética que a técnica desperta.

Há quem expresse preocupação com a possibilidade de que, no futuro, os embriões sejam usados para o desenvolvimento de outros tecidos e órgãos, como o cérebro, por exemplo. Nesse sentido, existem pessoas apreensivas com a perspectiva de que os cientistas acabem criando porcos mais “humanos” com seus experimentos.

E ainda existem aqueles que acreditam que a criação das quimeras poderia ser ofensivo para a dignidade humana — o que, convenhamos, pouco importa se o órgão desenvolvido significa que o paciente poderá melhorar sua qualidade de vida e sobreviver à sua doença.

Além disso, vale destacar que a técnica em desenvolvimento pelos cientistas da Universidade da Califórnia não tem nada a ver com o xenotransplante, ou seja, com o uso de tecidos de outras espécies em humanos. Os órgãos criados por meio do procedimento em questão seriam compostos principalmente por células humanas.

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