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Crijnssen: o navio disfarçado de ilha na Segunda Guerra Mundial

Construído em 1930 por Werf Gusto, em um estaleiro na Holanda do Sul, o Abraham Crijnssen foi o 3º de 8 caça-minas da classe Jan Van Amstel que foram desenvolvidos para o RNN até o final da década. A embarcação, que carregava o nome de um comandante naval do século XVII, tinha 56 metros de comprimento, pesava 525 toneladas e tinha cerca de 8 metros de altura. Ela também era armada apenas com 3 canhões, o que a transformava em um alvo grande para os inimigos por seu baixo poder de fogo.

O navio ficou em Surabaya, nas índias Orientais Holandesas, quando o Japão as invadiu em 1941. No final da Batalha do Mar de Java, no Estreito de Sunda, em 27 de fevereiro de 1942, a frota dos Aliados foi esmagada pela Marinha Imperial Japonesa, e apenas 4 navios holandeses sobreviveram no mar. Contudo, enquanto eles se retiravam em direção à Austrália, mesmo com o fim da guerra, os japoneses fizeram questão de afundar mais 3 deles.

O único que restou foi o Crijnssen, a embarcação de movimento lento que viajava a apenas 28 quilômetros por hora, era um alvo fácil demais para qualquer aeronave japonesa ou embarcação naval que pudesse avistá-la.

A ilha fabricada

(Fonte: Royal Australian Navy(Fonte: Royal Australian Navy

Portanto, a única solução que a tripulação encontrou para conseguir chegar à Austrália sem que fossem notados pelos japoneses era disfarçar de ilha o navio. Levando em consideração que camuflagem naval era algo muito comum desde a Primeira Guerra Mundial, a ideia não era totalmente louca, mas transformar um navio daqueles em uma ilha era outro nível de camuflagem.

Além disso, eles contavam com a vantagem de o Mar de Java, ao redor da Malásia e da Indonésia, ser pontilhado com mais de 18 mil ilhas, entre grandes e muito pequenas, o que era perfeito para um caça-minas como o Crijnssen se esconder. Sendo assim, para transformá-lo o mais fiel possível, os 45 tripulantes estacionaram o navio até a ilha mais próxima e começaram o trabalho de coletar o máximo que pudessem da vegetação local. Uma vez que a maior ameaça estava nos céus, eles precisavam cobrir toda a superfície do navio com as folhagens.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Assim que conseguiram formar um dossel frondoso com a vegetação e empilharam árvores que abateram da ilha, eles pintaram todos os tipos de metais expostos em tons de cinza para imitar as formações rochosas. O resultado final ficou bem convincente, pelo menos o suficiente para as aeronaves, mas eles duvidavam que passariam despercebidos por um navio inimigo.

(Fonte: Traces of War/Reprodução)(Fonte: Traces of War/Reprodução)

Para sustentar a farsa de maneira completa, o Crijnssen ficava ancorado perto de ilhas reais durante todo o dia e voltava a viajar apenas à noite, aos poucos saindo da zona hostil do Mar de Java, rumo à salvação. Esse trajeto levou 8 dias para ser percorrido, com a tripulação chegando em Fremantle, na Austrália Ocidental, em 20 de março de 1942.

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