Com o conhecimento de hoje, nossos ancestrais poderiam fazer mais do que fazemos?
(Fonte da imagem: Reprodução/PopSci)

“Nós já fomos mais inteligentes”. Essa frase pode ser atribuída a um famoso jornalista brasileiro, mas agora também está sendo dita por um geneticista chamado Gerald R. Crabtree, que publicou o estudo “Nosso frágil intelecto”. Para o cientista, há uma série de evidências que mostram que a raça humana passou por mutações genéticas que resultaram na perda de capacidade intelectual ao longo dos milênios.

O grande foco da análise de Crabtree (que é pesquisador de Stanford, uma das universidades mais respeitadas dos Estados Unidos) está nos genes humanos. Ele diz que o cérebro humano precisa de milhares de genes para ser formado e simples alterações em um deles pode causar grandes problemas para a absorção de conhecimento. Ele também diz que isso pode ter acontecido pelo menos duas vezes nos últimos milênios.

Como a comunidade científica recebeu o estudo?

Apesar de Crabtree ser um pesquisador de uma grande universidade norte-americana, a comunidade científica não parece ter recebido os estudos dele com bons olhos. Não por falhas em números ou inconsistências em argumentos, mas sim pela similaridade da teoria de Crabtree com outras teorias que ficaram muito famosas no começo do século XX: as teorias eugênicas.

Homo erectus. Um antepassado genial? (Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

A eugenia é base de boa parte das argumentações de quem defende a pureza racial. Crabtree acaba reacendendo discussões parecidas com aquelas, pois os primeiros teóricos da eugenia diziam que a mistura de raças poderia deixar os humanos menos inteligentes. Mesmo com todas as críticas, Gerald Crabtree disse à revista PopSci que seus trabalhos nada tem a ver com a eugenia.

Ele disse também que o melhoramento genético poderá resolver todos os problemas no futuro, isso se eles se tornarem um problema. Vale dizer que Crabtree não disse que estamos “mais burros”, mas sim que atualmente temos “menor capacidade intelectual”, porém com mais conhecimento.