5 mitos sobre a gripe espanhola

O que mata mais durante uma pandemia além do vírus em si? A desinformação.

A pandemia causada pelo novo coronavírus mostrou para o século XXI tudo o que uma pessoa deve ou não fazer para conseguir sobreviver a uma doença mortal que não mostra misericórdia a ninguém.

Em um dos momentos de maior polarização no espectro político mundial, a covid-19 será lembrada como a pandemia de gripe de 1918, mais conhecida como gripe espanhola pelo mundo, por causa da quantidade de informações cruzadas que existiram e que ajudou a fomentar o medo nos cidadãos, assim atrapalhando médicos e cientistas na corrida por uma vacina.

1. A gripe nasceu na Espanha?

(Fonte: NBC News/Reprodução)(Fonte: NBC News/Reprodução)

Apesar do nome, a gripe espanhola não nasceu na Espanha, e só ganhou esse nome devido à neutralidade do país durante a Primeira Guerra Mundial. Existem pesquisas comprovando que a doença já vinha ganhando força no Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha e Áustria, que eram os principais países envolvidos no conflito, e onde qualquer informação que pudesse torná-los vulneráveis significava problema, então a extensão da gripe foi suprimida neles.

A Espanha, no entanto, não se preocupou em expor a doença assim que ela chegou, criando no mundo a falsa impressão de que era responsável por disseminá-la. Atualmente, acredita-se que a gripe espanhola tenha surgido no leste asiático, na Europa ou no Kansas.

2. A gripe era fruto de um "supervírus"

(Fonte: The Guardian/Reprodução)(Fonte: The Guardian/Reprodução)

Responsável pela morte de 100 milhões de pessoas, representando 5% da população mundial, e meio bilhão de infectados, a pandemia de 1918 alimentou a ideia de que a cepa da gripe era fruto de uma espécie de "supervírus".

Contudo, o próprio vírus não era muito diferente daqueles que causaram epidemias em anos anteriores, apesar de indicar um grau de letalidade bem maior. O que potencializou a alta taxa de mortes (sendo 25 milhões de pessoas mortas apenas nos 6 primeiros meses de pandemia) foi a aglomeração de soldados infectados e sem saneamento básico nos acampamentos militares durante a guerra.

3. A primeira "onda" foi a mais letal

(Fonte: DocPlayer/Reprodução)(Fonte: DocPlayer/Reprodução)

Muito diferente do que vivemos com o novo coronavírus em 2020, a primeira "onda" da gripe espanhola não foi letal em comparação à segunda, que aconteceu de outubro a dezembro de 1918. A terceira "onda", na primavera do ano seguinte, foi mais letal do que a primeira, porém mais branda do que a segunda.

Os cientistas apontaram que o aumento das mortes na segunda "onda" foi consequência direta do mau gerenciamento da pandemia durante a primeira. Isso porque as pessoas com sintomas mais leves costumavam ficar em casa, enquanto as acometidas pelos casos graves enchiam hospitais e acampamentos para acabar com qualquer chance de recuperação dos demais, aumentando a transmissibilidade do vírus.

4. A população era bem informada sobre a doença

(Fonte: CrossCut/Reprodução)(Fonte: CrossCut/Reprodução)

Enquanto grades inteiras de emissoras foram mudadas e plantões 24 horas foram criados em 2020 para informar sobre o coronavírus, em 1918 as autoridades subestimaram a gravidade da gripe espanhola e privou a ampla cobertura da mídia.

Além disso, os políticos e o Exército temiam que a divulgação em massa pudesse encorajar ataques inimigos durante a guerra, além de alimentar uma histeria coletiva considerada "desnecessária". Por isso que festivais e passeatas, como a da Filadélfia, aconteceram sem medo nenhum.

5. A criação da vacina acabou com a doença

(Fonte: NewsReap/Reprodução)(Fonte: NewsReap/Reprodução)

Não foi a imunização em massa praticada hoje que terminou com a pandemia naquela época, pois a vacinação não era uma prática feita do jeito que conhecemos hoje. Contudo, foi a exposição às cepas anteriores da gripe que ofereceram proteção conforme a doença foi seguindo seu curso mortal.

A mutação rápida do vírus também contribuiu para que cepas menos letais surgissem, assim como é previsto por modelos de seleção natural.

Atualmente, nós temos tudo o que o mundo não tinha em 1918: medicina avançada, tecnologia, pesquisas, drogas e remédios que não existiam no século passado – além de toda uma história no retrovisor da humanidade sobre o que devemos ou não fazer. Ainda assim, não estamos imunes a nenhum tipo de caos, como 2020 demonstrou muito bem.

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