Utopia: o que acontece quando uma vizinhança inteira bane carros por 1 mês?
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Utopia: o que acontece quando uma vizinhança inteira bane carros por 1 mês?

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No caos da cidade, o trânsito é uma das principais causas de brigas e stress. Além das discussões bizarras que começam por pouca coisa, ainda existe o risco de acidentes graves por conta de barbeiragens de pessoas embriagadas ou que falam ao telefone – nós já até fizemos uma mega compilação com os casos mais impressionantes.

Há dois anos, uma vizinhança localizada em Suwon, na Coréia do Sul, decidiu fazer um experimento radical: durante um mês ninguém andaria de carro. O estudo ficou conhecido como “Festival de Ecomobilidade”, tendo como intuito fazer com que a comunidade conseguisse se ver livre do carbono e tivesse um gostinho de como poderia ser o futuro.

“Geralmente você faz planejamentos no computador – uma foto artificial do futuro ou uma apresentação no Power Point”, contou Konrad Otto-Zimmermann, diretor-criativo do The Urban Idea, e que também ajudou na criação do projeto. “Nós estamos fazendo de um jeito diferente: usando uma cidade real, com pessoas reais e em tempo real. É como uma peça de teatro em que toda a vizinhança é o palco”, explicou.

Repensando o futuro

Logo no início do plano, a região era lotada de carros. Como em todo grande centro urbano, os indivíduos não conseguiam deixar seus veículos de lado, não importando que fossem apenas à padaria. Já as calçadas serviam como estacionamento.

Os envolvidos no projeto precisaram de dois anos – e inúmeras reuniões – para convencer todas as pessoas de que seria possível mudar o estilo de vida. Em setembro de 2013, cerca de 1,5 mil automóveis foram transferidos para os estacionamentos distribuídos em diversos pontos da cidade. Os cidadãos também receberam 400 bicicletas temporárias e scooters.

Além disso, o experimento criou escolas de direção para ensinar aqueles que não sabiam pilotar. As correspondências passaram a ser entregues por veículos elétricos. Ônibus de ida e volta partiam em intervalos de 15 minutos para levar os indivíduos até os seus carros quando fosse muito necessário.

Livre do caos

Não demorou muito tempo para que a comunidade se transformasse. Os restaurantes e as cafeterias passaram a colocar mesas e cadeiras para fora, assim as pessoas puderam encher as ruas e passaram a conversar mais. Dessa maneira, o teste ajudou a mostrar que todo mundo consegue viver tranquilamente sem automóveis no dia a dia.

“Eles tiveram que viver assim durante um mês, portanto suas rotinas passaram por adaptações”, explica Otto-Zimmerman. “Se você fizer um fim de semana sem carros – o que muitos lugares realizam –, isso não é mais interessante”.

“Caso seja apenas uma semana sem veículos, as pessoas ainda conseguem reagendar o dentista ou qualquer coisa que precisem fazer durante esse período. O certo mesmo é um mês; só assim elas podem experimentar a verdadeira ecomobilidade”, conclui.

O resultado da experiência

Inicialmente, quando o festival estava acabando, os organizadores quiseram retomar as coisas aos poucos, deixando que as próprias pessoas fizessem as últimas mudanças. Nisso, o prefeito também resolveu incluir alguns detalhes permanentes, construindo calçadas mais largas e pequenos parques. Segundo Konrad, ele sentiu que era importante mostrar que o experimento era o início das verdadeiras melhorias.

Quando o projeto acabou, os cidadãos foram convidados para uma imensa reunião, em que debateram o que aprenderam e como aplicariam algumas alterações. Como resultado, o limite de velocidade foi reduzido quase pela metade, cerca de 28,9 km/h. Dessa maneira, aqueles que moravam longe do trabalho não quiseram mais utilizar a vizinhança como um atalho, reduzindo o tráfego na região.

Outra medida foi remover o estacionamento lateral das vias principais – e nas calçadas –, isso encorajou as pessoas a caminhar e andar de bicicleta. Por fim, todo mês a comunidade adota um final de semana sem carros. Nessa primavera, Otto-Zimmerman vai repetir o experimento em Johannesburg, na África do Sul.

“É preciso um prefeito que goste de inovar e provocar, além de ter uma ótima visão verde sobre a cidade. São necessários indivíduos influentes e colaboradores que acompanhem o exercício, visto que esse é um princípio controverso”, defende o diretor.

Entretanto, a proposta também é muito cara. Em Suwon, o mês sem carro custou mais de US$ 10 milhões (mais de R$ 30 milhões) para ser produzido. Todavia, grande parte do orçamento foi usado principalmente para reparar ruas que já precisavam de ajustes.

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E você, leitor? Gostou do projeto? Será que é cabível em sua cidade? Deixe sua opinião nos comentários.

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