Não foi só a covid: que doenças já influenciaram a política nacional?

Não foi só a covid: que doenças já influenciaram a política nacional?

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Um dos assuntos mais comentados recentemente — além dos vários memes que você já deve ter visto nas redes sociais — foi a notícia de que o Presidente da República, Jair Bolsonaro testou positivo para a covid-19. Independentemente de opiniões políticas, a favor ou contra o atual usuário da faixa presidencial, sempre que um chefe de estado passa por uma doença, as questões de saúde podem se tornar políticas. 

Mas não é só a covid-19 que está gerando impactos na política por acometer figuras importantes nesse cenário. 

Na pandemia de gripe espanhola, por exemplo, o Brasil perdeu seu presidente eleito, Rodrigues Alves. Ele já tinha comandado o Executivo Nacional em outra ocasião, entre 1904 e 1906, e foi escolhido para um novo mandato, nas eleições de 1918. Porém, com sua morte, no início do ano seguinte, aos 70 anos, houve um novo sufrágio e Epitácio Pessoa governou pelos próximos anos.

Justo hoje?

Além da morte de Rodrigues Alves na pandemia, outras questões de saúde particulares dos mandatários geraram grandes mudanças na política e na história do Brasil, desde o início da nossa trajetória até casos mais recentes. 

No dia 7 de setembro de 1822 — o dia em que Dom Pedro I proclamou a Independência, às margens do Rio Ipiranga — nosso imperador sofria de uma grave dor de barriga. Ao que parece, Dom Pedro se sentia tão mal, que precisava descer da sua mula, de tempos em tempos, para se aliviar em matagais. Mas esse foi um problema passageiro, causado por algo que o imperador comeu ou bebeu no dia anterior.

"Independência ou Morte", de Pedro Américo (Fonte: Wikimedia Commons)"Independência ou Morte", de Pedro Américo (Fonte: Wikimedia Commons)

Muito mais séria era a dispneia do Marechal Deodoro da Fonseca, uma das figuras centrais da Proclamação da República e primeiro presidente do Brasil. Essa doença causa grande dificuldade para respirar e, consequentemente, falta de ar. Ela que levou Deodoro à morte, em 1892, um ano depois de deixar a presidência. 

Além disso, no próprio dia 15 de novembro, ele foi tirado da cama em meio a uma crise de sua doença, para liderar a destituição de Dom Pedro II e seu gabinete ministerial. Dois grandes momentos da nossa história que aconteceram em dias pouco confortáveis para seus protagonistas. 

Uma questão de saúde e de política

Mais do que as coincidências descritas anteriormente, há ainda dois casos interessantes de como a saúde realmente influenciou os bastidores de governos brasileiros. Ambos, diga-se de passagem, envolvem sucessões presidenciais.

O primeiro caso é o de Café Filho, o vice-presidente que assumiu a chefia do Executivo após o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Ele não era a favor das ideias trabalhistas de seu antecessor, nem via com bons olhos a eleição de Juscelino Kubitschek — que tinha ideias semelhantes — no ano seguinte. Por isso, Café Filho pretendia dar um golpe de estado para impedir que o presidente eleito assumisse o cargo.

Onde entra a doença, nesse caso? Bom, a história começa quando o Ministro da Guerra, Marechal Henrique Lott, fica sabendo dos planos de Café Filho e de seus colegas do partido UDN (União Democrática Nacional) e defende que a decisão das urnas deve ser respeitada e JK deve assumir.

Posse de Juscelino Kubitschek (Fonte: Wikimedia Commons)Posse de Juscelino Kubitschek (Fonte: Wikimedia Commons)

Café Filho, então, pede afastamento por "problemas de saúde" e quem assume a presidência é o líder da Câmara, Carlos Luz, que defendia o golpe de forma ainda mais enfática. Henrique Lott consegue articular o impedimento de Carlos Luz e de Café Filho, passando o poder para as mãos de Nereu Ramos, que governa por alguns meses até JK assumir. E você achava que a confusão na política brasileira era coisa recente...

Oficialmente, os relatos dizem que Café Filho tinha um "distúrbio cardivascular". Mas, até hoje, ninguém tem certeza se isso é verdade mesmo ou parte de um teatro político. 

A morte de Tancredo

O segundo caso em que uma doença influenciou na sucessão presidencial é mais recente e lembrado: a morte de Tancredo Neves, em março de 1985, antes mesmo de assumir o cargo máximo da república. Mesmo sendo eleito de forma indireta, ele era celebrado como o primeiro presidente civil e opositor dos militares, após duas décadas de ditadura no Brasil. 

Tancredo começou a sentir as primeiras dores no abdômen — sintomas de sua doença — logo após a eleição. Porém, temendo que os militares se recusassem a entregar o poder, caso ele não pudesse assumir, Tancredo pensou em manter sua condição de saúde em segredo até a posse. 

Tancredo Neves e José Sarney (Fonte: Wikimedia Commons)Tancredo Neves e José Sarney (Fonte: Wikimedia Commons)

Isso não foi possível, já que o presidente começou a sentir dores mais fortes apenas um dia antes da cerimônia, em 14 de março. Tancredo foi encaminhado às pressas ao hospital e José Sarney, o vice, foi empossado no dia 15. 

Após cerca de um mês — e sete cirurgias nesse meio-tempo — Tancredo Neves faleceu no dia 21 de abril de 1985, feriado de Tiradentes, sem ser empossado. A causa oficial da morte foi diverticulite (uma inflamação no intestino), mas relatos posteriores afirmam que o presidente morreu por consequência de um tumor benigno.

Ainda não sabemos os impactos que a pandemia de covid-19 vai trazer para a política brasileira (ou do mundo), mas se você quer saber mais curiosidades sobre esse assunto, clique aqui para ver outras matérias que o Mega Curioso já publicou sobre. 

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