Pintura falsa de Rembrandt pode ser genuína, dizem especialistas

Pintura falsa de Rembrandt pode ser genuína, dizem especialistas

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Uma análise feita na pintura "Cabeça de um Homem Barbudo", de Rembrandtindica que a obra considerada falsa há 40 anos pode ser, na verdade, autêntica. O recente estudo, realizado pelo Museu Ashmolean, da Universidade de Oxford, revelou que a madeira usada no painel do quadro é proveniente de uma árvore também utilizada como material para outras pinturas importantes do autor — o que seria uma evidência para sua genuinidade.

(Fonte: Ashmolean Museum/Reprodução)(Fonte: Ashmolean Museum/Reprodução)

A obra, do tamanho de um cartão postal, foi recebida pelo museu em 1951 como um presente e, assim, foi colocada em exibição como original logo em seguida. Contudo, uma análise feita cerca de 30 anos depois pelo Projeto de Pesquisa Rembrandt (Rembrandt Research Project, em inglês) condenou a pintura como falsa, o que a levou ser armazenada e consequentemente esquecida.

Dessa maneira, a peça só recebeu a devida atenção quando An Van Camp, uma curadora do museu desde 2015, questionou novamente sua autenticidade. Para ela, as características que compunham a pintura — estudos pequenos de bustos masculinos com olhares pensativos e melancólicos — eram muito similares aos trabalho de Rembrandt feitos em Leiden, Holanda, nos anos de 1630. Esse palpite culminou em novas investigações que buscaram reavaliar a genuinidade do quadro.

Inspeção minuciosa

Para averiguar a autenticidade da pintura, o museu contou com a expertise de Peter Klein, uma autoridade mundial em dendrocronologia — método científico que visa datar a idade de uma árvore a partir dos anéis em seu tronco. A investigação apontou que o painel de madeira usado no quadro veio de uma mesma árvore também usada como recurso em outros trabalhos, como "Andrômeda Acorrentada às Rochas".

(Fonte: Ashmolean Museum/Reprodução)(Fonte: Ashmolean Museum/Reprodução)

A análise também mostrou que a madeira, proveniente de um carvalho da região báltica, é datada de 1618 a 1628, período condizente com outros trabalhos influentes de Rembrandt — contudo, mais estudos serão necessários para confirmar sua autenticidade.

Apesar disso, a pintura já será exibida na próxima exposição do museu, chamada de "Jovem Rembrandt" (em tradução livre do inglês, Young Rembrandt), que busca mostrar os primeiros anos de trabalho do pintor — esse será o primeiro evento desde o fechamento temporário do museu, em março deste ano, devido à pandemia do covid-19. 

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