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Possível 'elo-perdido' do alfabeto foi descoberto em Israel

Pesquisadores do Instituto Arqueológico Austríaco encontraram no sítio arqueológico de Tel Lachish, Israel, uma inscrição de cerca de 3.470 anos que pode ser caracterizada como um "elo-perdido" da história do alfabeto

Antes dos especialistas vasculharem as terras de Israel, acreditava-se que a evidência de alfabeto mais antigo encontrado datava da 12ª dinastia (por volta de 1981 a.C. a 1802 d.C.), quando um sistema de letras adotado por gregos, romanos e, posteriormente, por outras culturas foi revelado no Egito. Agora, o novo achado aponta para um detalhe que era considerado uma "lacuna" durante os estudos, sugerindo que há uma conexão entre os primeiros exemplos de alfabeto e os registros de Tel Lachish.

A inscrição recém-descoberta faz referência ao ano de 1450 a.C. e aponta um direcionamento sobre como o alfabeto se deslocou do Egito para o Levante do Sul, uma grande área do Oriente Médio que inclui os atuais territórios da Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano e Chipre. Segundo os dados, os povos hicsos, tribo semita asiática que governou o Egito entre 1638 a.C. e 1530 a.C., foram os principais responsáveis por disseminar as antigas letras durante seu domínio.

Os significados dos sinais

O fragmento encontrado no sítio arqueológico contém duas palavras formadas respectivamente pelas inscrições "ayin", "bet" e "dalet", e "nun", "pe" e "tav", que integram o alfabeto semítico — base dos alfabetos hebraico, árabe e fenício — e foram adaptadas para versões mais modernas utilizadas atualmente na Península Arábica. Parte dessas letras foi escrita em formato de hieróglifos, tornando seu significado ainda mais misterioso.

(Fonte: Academia Austríaca de Ciências - Antiquity / Reprodução)(Fonte: Academia Austríaca de Ciências - Antiquity / Reprodução)

O fragmento seria considerado um "elo-perdido" exatamente por ocupar um espaço histórico entre 3.300 e 3.900 anos em que pouco se sabe sobre os fundamentos da escrita alfabética e sua forma de deslocamento entre os continentes. Além disso, parte dessa lacuna faz referência à própria semântica das palavras, como no caso do vocábulo "escravo", que apesar de haver menção do termo no documento, não se sabe com certeza sobre o que estava falando.

Em meio a incertezas, os pesquisadores ainda seguem trabalhando nas análises de material, na tentativa de preencher registros significativos e ainda vazios que possam contribuir com a história do alfabeto.

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