A Kombi foi o principal símbolo do movimento contracultura de 1960

Na década de 1960, o papel dos Estados Unidos como uma superpotência nuclear e sua dependência do comercialismo para alimentar um apetite voraz da economia, desencadeou em muitas pessoas uma espécie de angústia existencial.

Portanto, uma parcela da sociedade decidiu “ligar, sintonizar e sair”, como ressalta o psicólogo Timothy Leary, se concentrando nas mensagens que o rock psicodélico transmitia, remodelando os hábitos, costumes, valores e tradições de uma cultura hegemônica na efervescente sociedade em que pairava a tensão da Guerra Fria.

O movimento de contracultura surgiu exatamente como uma maneira de as pessoas se libertarem dessas amarras e protestarem contra o padrão e o próprio sistema da época.

Indo contra a maré

(Fonte: English Tenses/Reprodução)(Fonte: English Tenses/Reprodução)

As peruas Kombi da Volkswagen se tornaram uma extensão do símbolo de protesto dessas pessoas, uma crítica aos carros superpoderosos de Detroit e à sociedade em geral. Conhecido como Tipo 2, o veículo foi uma evolução do Fusca VW, chamado Tipo 1, de 1933, quando Adolf Hitler estabeleceu que o Volkswagen era o mais novo "carro do povo".

Conforme a Kombi foi sendo mais aceita na América, ela assumiu um caráter de "culto" para os grupos marginalizados. O “ônibus hippie”, como também ficou conhecida, se destacava na multidão e incomodava por sua aparência quadrada que ia contra os padrões.

(Fonte: USA Today/Reprodução)(Fonte: USA Today/Reprodução)

Essa foi a primeira vez que as pessoas começaram a rejeitar a cultura norte-americana dominante. “Era uma maneira de elas dizerem: ‘Não precisamos de seus grandes carros V8”, ressalta Roger White, curador da História do Transporte Rodoviário da Divisão de Trabalho e Indústria do Museu Nacional de História Americana, no Museu Smithsonian.

Além disso, o veículo facilitava os revolucionários a transportar mais pessoas para os comícios, assembleias de voto, protestos e outras manifestações. A Kombi também foi um emblema na luta racial durante os anos de 1960, quando os afro-americanos boicotaram os ônibus em Montgomery, Alabama, de modo a dar um basta na segregação no transporte público.

(Fonte: We Heart It/Reprodução)(Fonte: We Heart It/Reprodução)

Em um dos períodos mais tumultuados da América do Norte, milhares de peruas Kombi foram feitas até que o interesse fosse perdido e a produção acabasse de vez em 2014. Atualmente, um painel lateral e uma porta traseira personalizadas estão em exposição no Museu Nacional, em Washington.

As peças foram pintadas com a frase: "Amor é progresso. O ódio é caro" pelo líder afro-americano Esau Jenkins durante o movimento de contracultura.

"Essas peças ampliam a narrativa do que estava acontecendo naquela época", aponta William Pretzer, curador sênior do Museu Nacional de História e Cultura Afro-americana. “Elas nos ajudam a entender a rejeição dos direitos e da cidadania que existiam naquela época. Não é história negra; é a história americana.”

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