6 fatos para entender o retorno do Talibã ao poder no Afeganistão

Vinte anos após serem destituídos do poder por meio de uma invasão liderada pelos Estados Unidos (EUA), integrantes do Talibã invadiram a capital do Afeganistão, Cabul, no último domingo (15) e enfrentaram quase nenhuma resistência das forças oficiais. O presidente do país, Ashraf Ghani, fugiu e o governo entrou em colapso.

Mas como as tropas do Talibã conseguiram tomar o país em tão pouco tempo? Alguns fatos são importantes para entender essa história e como tudo chegou até esse ponto. Veja!

1. A mais longa guerra dos EUA

(Fonte: Pexels/ Reprodução)(Fonte: Pexels/ Reprodução)

Os eventos que marcaram a chegada do Talibã a Cabul foram um final dramático e incerto para a mais longa guerra travada pelos EUA. O início de tudo foi a recusa do grupo em entregar Osama bin Laden após os ataques de 11 de setembro de 2001. Poucas semanas depois, forças lideradas pelos EUA invadiram o Afeganistão e derrubaram o Talibã no final do mesmo ano.

2. Vidas perdidas

(Fonte: Pexels/ Reprodução)(Fonte: Pexels/ Reprodução)

O envolvimento dos EUA saltou daquilo que era para durar alguns meses para anos. A partir de então, segundo o Projeto Custos da Guerra, da Brown University, mais de 73 mil pessoas perderam suas vidas, entre aliados, militares dos EUA, contratados e forças afegãs (militares e policiais). Além desse número, ainda é preciso considerar os mais de 47 mil civis mortos.

3. O custo

Fronteiras fechadas entre o Paquistão e Afeganistão pelo TalibãFronteiras fechadas entre o Paquistão e Afeganistão pelo Talibã

Após 20 anos, o gasto dos EUA, incluindo os custos para treinar os militares do país e ajudar a reconstruir o governo, chegou a US$ 2,26 trilhões.

4. Início da queda

Membros do Talibã em FarahMembros do Talibã em Farah.

Embora a queda do governo afegão tenha acontecido rapidamente ao longo da última semana, seu início começou com a incerteza do que aconteceria ao país devido às negociações entre os EUA e o Talibã, iniciadas em 2019.

Com o acordo finalizado em fevereiro de 2020, os EUA confirmaram a retirada de sua presença do Afeganistão junto da redução das forças aliadas. Algumas autoridades dos EUA e integrantes das forças militares afegãs viram esse acordo como uma derrota ante o Talibã.

Na época, um oficial das forças especiais do Afeganistão chegou a dizer ao Washington Post que “no dia em que o negócio foi assinado, vimos a mudança. Todo mundo estava apenas cuidando de si mesmo. Foi como se [os Estados Unidos] nos deixassem cair. ”

5. Avanço relâmpago

(Fonte: Mohammad Asif Khan/AP/ Reprodução)(Fonte: Mohammad Asif Khan/AP/ Reprodução)

Desde o início da retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, o Talibã conseguiu varrer quase a metade dos 400 distritos do país. A ofensiva de poucos meses sobrecarregou o governo afegão, culminando no cerco de Cabul.

6. A estratégia do Talibã

Sem ajuda, forças afegãs não conseguiram conter o TalibãSem ajuda, forças afegãs não conseguiram conter o Talibã

A presença do governo afegão se dava nos distritos por meio de uns poucos prédios protegidos por uma pequena força policial ou militar, sendo que em alguns casos isso consistia em uma milícia paga pelo governo. Logo, a única força oficial do país naquele distrito, e por quilômetros em qualquer direção, não passava de um pequeno grupo armado. E, claro, o Talibã se aproveitou disso para seus avanços.

Ainda não é possível saber exatamente o que esperar do futuro. Um líder do grupo disse à agência Reuters que os integrantes do Talibã devem garantir que os civis retornem à normalidade e que não sejam assustados. Do outro lado, vários países temem que a crise cause mais problemas humanitários ao Afeganistão e que o grupo se torne, mais uma vez, um reduto poderoso de extremistas.

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