Ana Rosa: a jovem morta pelo marido que se tornou milagreira

No dia 22 de junho de 1885, os habitantes da região de Botucatu (São Paulo) ficaram horrorizados com a descoberta do corpo de uma mulher nas proximidades da cidade. Sem dedos, lábios, orelhas e língua, a cena dificilmente poderia ser esquecida por quem a visse.

Mais tarde, descobriu-se que aquele corpo mutilado era da jovem Ana Rosa. Na época, ela tinha apenas 20 anos. Até hoje sua sepultura atrai muitos curiosos, especialmente porque muitas pessoas atribuem ao espírito da moça assassinada a uma série de milagres.

Capele em homenagem a Ana. (Fonte: BBC/ S. de Turismo de Botucatu/ Reprodução)Capela em homenagem à Ana. (Fonte: BBC/ S. de Turismo de Botucatu/ Reprodução)

Uma vida de violência

Ana Rosa não teve uma juventude fácil. Foi obrigada a se casar com apenas 15 anos com Francisco Carvalho Bastos, popularmente chamado de Chicuta, um homem influente e bastante violento, que tinha em torno dos 40 anos.

(Fonte: BBC/ S. de Turismo de Botucatu/ Reprodução)(Fonte: BBC/ S. de Turismo de Botucatu/ Reprodução)

Após se casarem, Ana e Chicuta viveram em uma propriedade nos arredores de Avaré, cidade a 77 quilômetros de Botucatu. A jovem era alvo constante da violência e dos ciúmes do marido. O sofrimento só aumentava, e Ana não sabia mais o que fazer até que, certo dia, seu algoz decidiu viajar. Era a oportunidade perfeita para fugir daquele lugar e tentar se manter longe das surras.

Ana conseguiu a ajuda de um homem escravizado para fugir. O objetivo dela era se esconder no cabaré de uma tia na cidade de Botucatu. Quando Chicuta descobriu o que havia acontecido, identificou o escravizado e o matou. Depois, foi atrás da esposa.

Como suas tentativas de tirar Ana do cabaré da tia não foram bem-sucedidas, Chicuta contratou dois homens, sendo que um deles, de nome Costinha, tinha uma missão bem específica: ganhar a confiança da jovem para, depois, enganá-la, prometendo que a ajudaria chegar ao Paraná para que o marido nunca mais a encontrasse.

Por desespero ou inocência, Ana Rosa acabou acreditando no capanga contratado pelo seu esposo. No dia 21 de junho de 1885, ela seguiu Costinha até as proximidades do Rio Lavapés, em Botucatu, onde foi entregue a Chicuta que a matou lentamente, mutilando seu corpo.

O assassinato de Ana Rosa foi descoberto por acaso: uma mulher escravizada tinha se escondido no local onde Chicuta cometeu o crime e, por isso, viu como tudo aconteceu. Depois que o corpo foi encontrado por um fazendeiro da região, ela decidiu contar o ocorrido.

Vingança

Apenas um dos dois capangas contratados foi condenado, Minigirdo era filho de escravizados. Costinha, por ser filho de uma rica família das redondezas, foi absolvido. Quanto a Chicuta, sua desculpa para o crime foi a defesa da honra. Ele também foi absolvido.

O enterro de Ana Rosa atraiu centenas de pessoas. A história não acaba aqui, mais tarde, os três envolvidos em seu assassinato tiveram fins horríveis. Chicuta morreu com o pescoço cortado por uma roda de carro de boi; Costinha viu seu fim sendo esmagado por uma árvore; enquanto Minigirdo contraiu varíola e morreu na prisão.

(Fonte: BBC/ S. de Turismo de Botucatu/ Reprodução)(Fonte: BBC/ S. de Turismo de Botucatu/ Reprodução)

Esses eventos fizeram as pessoas começarem a pensar que o espírito de Ana Rosa foi quem puniu os assassinos. Nas décadas que se seguiram à sua morte, diversos milagres foram atribuídos a ela. No local onde foi encontrada, uma capela foi erguida pelos moradores em homenagem à moça. A figura da jovem é tão importante na região que existe até um movimento popular pela sua canonização.

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