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Globalização sul-coreana: os bastidores do sucesso no país

Nos últimos anos, a Coreia do Sul mostrou-se não apenas como um país moderno e com bases sociais de primeiro mundo, mas também como uma das maiores potências culturais da contemporaneidade, tendo em vista seus altos investimentos em especial no cenário artístico. Essa ascensão ficou evidente com a expressão meteórica de grupos de K-Pop como o BTS, banda número um da revista Forbes em 2018, e com a representação que o cinema local obteve quando Parasita, de Bong Joon-ho, tornou-se o primeiro filme de língua não inglesa a ganhar a premiação máxima de uma edição do Oscar.

Apesar de a nação sul-coreana ter atingido seu ápice até 2019, de acordo com as maiores celebrações da indústria artística, as produções nacionais continuam em alta, e plataformas de streaming como a Netflix dedicam cada vez mais espaço em seu catálogo para disponibilizar séries e filmes de identidade asiática. Até o início deste ano, o serviço dispunha de mais de 40 K-dramas (dramas coreanos), incluindo a recém-lançada Round 6, que em menos de 1 mês alcançou o topo de séries mais assistidas na história da Netflix.

(Fonte: Netflix / Reprodução)(Fonte: Netflix/Reprodução)

"Graças às plataformas de streaming como YouTube e Netflix e aos vigorosos esforços de legendagem — com a colaboração de fãs também —, a música pop coreana e os dramas estão amplamente disponíveis e facilmente acessíveis", disse Dafna Zur, estudiosa da literatura coreana e professora associada do departamento de Línguas e Culturas do Leste Asiático na Universidade de Stanford. "Mesmo quando o conteúdo é em coreano, existem poucas barreiras de entrada".

Segundo a pesquisadora, as produções sul-coreanas chamam a atenção de todos os públicos ao investirem em histórias que navegam entre o clichê e a imprevisibilidade, discutindo temas corriqueiros para os espectadores, como disparidades entre classes sociais, desafios familiares e profissionais e compreensão do papel juvenil no mundo, mas garantindo narrativas com particularidades culturais do país, reviravoltas pontuais e sombrias, bem como uma humanização muitas vezes hipnótica.

(Fonte: CJ Entertainment / Reprodução)(Fonte: CJ Entertainment/Reprodução)

"A mídia coreana despeja recursos tremendos em seus dramas. Dramas são produções colaborativas que atendem a cada detalhe para assegurar uma experiência de visualização positiva que também é saudável e familiar", completou. "Os espectadores têm a garantia de obter bons olhares sobre comida coreana, moda, vida nas ruas e lindas paisagens do campo".

A fórmula do idol

Outro exemplo de familiaridade artística se dá com a grande proximidade do público com os grupos de K-Pop. Bandas como o BTS se destacam não apenas por serem a elite do cenário musical sul-coreano, mas também por trabalharem constantemente seu carisma, posicionamento, comportamento e outras características que exalam autenticidade, acessibilidade e diversão. Isso é possível observar nos shows, em entrevistas e na forma como os integrantes se relacionam entre si.

"Os idols levam seus fãs muito a sério. Plataformas de comunicação elaboradas permitem que os idols do K-pop falem com seus fãs e reconheçam o papel deles no sucesso de seus ídolos. Os fãs protegem ferozmente o bem-estar de seus ídolos. Eles rejeitam fãs que são muito obsessivos, como aqueles que deliberadamente reservam voos nos mesmos aviões que eles. O vínculo que se constrói entre o ídolo e seus fãs é poderoso", comentou Zur.

(Fonte: BTS Big Hit / Reprodução)(Fonte: BTS Big Hit/Reprodução)

Como resultado, a arte sul-coreana gerou um impacto direto na educação local, e hoje os estudantes estão cada vez mais interessados em adquirir conhecimentos sobre as mais diversas esferas culturais. O investimento audiovisual gerou um amplo interesse na língua, nos costumes, nos relacionamentos e em inúmeras outras camadas do cenário social, despertando uma curiosidade em conhecer como o país se desenvolveu tão rapidamente e se tornou referência no mercado global, em especial se comparado à Coreia do Norte.

"Nossos alunos hoje sabem o que levei anos para descobrir: a Coreia é a chave para os quebra-cabeças econômicos, políticos e culturais de hoje. E é muito legal", conclui a especialista.

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