Seja o primeiro a compartilhar

Grit: o jornal norte-americano que vendia paz e positividade

Na década de 1960, um novo jornal despontava nos Estados Unidos (EUA) como uma alternativa para os consumidores. Ao contrário do material encontrado na TIME ou na Reader's Digest, o Grit tinha um diferencial: oferecer manchetes de paz e positivismo para a sociedade.

Em 1969, sua clientela subiu para um público de 1,5 milhão de assinantes. O objetivo do periódico era não carregar notícias sensacionalistas de guerra, embora muitas tivessem sido publicadas após seu lançamento, em 1880. E, com essa mensagem, a marca foi se expandindo.

Lançamento do Grit

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Quando o Grit foi criado, na década de 1880, o fato de seguir uma filosofia positivista no jornalismo poderia ser visto como uma "aberração", mas era o que os colaboradores do jornal adotavam em suas publicações. Não havia notícias sobre assassinatos, tragédias ou assaltos, e os colunistas não davam opinião sobre as políticas recorrentes.

Tudo o que sobrava era notícia boa. Um dia, o fundador, Dietrick Lamade, chegou a dizer para sua equipe: "Sempre evite que Grit seja pessimista. Não faça nada que incentive o medo, a preocupação ou a tentação. Sempre que possível, sugira paz e boa vontade aos homens. Dê aos nossos leitores coragem e força para suas tarefas diárias. Coloque pensamentos felizes, alegria e contentamento em seus corações".

O objetivo de Lamade era se distanciar de produtores de conteúdo como Randolph Hearst, que inclusive chegou a ser acusado de angariar apoio para a Guerra Hispano-Americana graças às suas histórias sensacionalistas do conflito em Cuba. Dietrick, filho de imigrantes alemães, não apoiava a maneira como Hearst vendia jornais e queria uma mudança no cenário.

Expansão das publicações

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Na época de sua criação, o Grit ainda era um jornal voltado para o público rural e não despertava a mesma atenção que Lamade desejava. Em uma tentativa de expandir a marca para o restante dos Estados Unidos, o empresário alemão teve uma ideia: recrutar crianças para distribuir o material.

Como ele não tinha qualquer contato direto com esses jovens, decidiu colocar um anúncio no periódico na esperança que o público mais jovem se voluntariasse para a missão. Aqueles que se inscreveram recebiam um alfinete no peito e deveriam preencher formulários de vendas semanalmente, enviando o dinheiro coletado para o Grit.

Para cada edição do jornal, que custava 10 centavos, o vendedor teria que mandar 7 centavos de volta para o Grit e poderia ficar com o resto. Em média, uma criança vendia de 5 a 450 cópias por semana. Alguns jovens percorriam um trajeto de 8 km por dia para realizar suas vendas.

Negócio familiar

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

De 1932 para 1969, a circulação do Grit passou de 400 mil cópias para 1,5 milhão com a ajuda de cerca de um exército de 30 mil crianças à disposição, que passavam de porta em porta tentando arrecadar mais vendas. A estratégia foi tão bem-sucedida que essa se tornou uma das poucas publicações nos EUA a não depender majoritariamente de publicidade para sobreviver.

Além do mais, as publicações haviam atingido um público não explorado: pela estimativa, 65% das cópias do Grit eram vendidas em cidades com população inferior a mil habitantes. Mesmo após a aposentadoria de Lamade, em 1936, e a morte dele aos 78 anos, em 1938, o periódico continuou espalhando positividade pelo país.

Como consequência, o Grit acabou sendo passado para as mãos dos filhos de Dietrick, George e Howard Lamade, e posteriormente para os netos. Porém, o aumento da competitividade por causa de outros meios de comunicação mais modernos, a queda de colaboradores e a diminuição da margem de lucro fizeram o modelo de negócio da empresa mudar.

Em 1981, a família Lamade concluiu a venda do Grit para uma corporativa norte-americana, dando fim a um negócio familiar de 97 anos. Em 2006, o Grit deixou de trabalhar como um jornal para se tornar uma revista bimestral, formato que continua até hoje. 

Você sabia que o Mega Curioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.