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A incrível história do soldado que derrotou nazistas após perder um braço

Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos (EUA) classificou os nissei (filhos de imigrantes japoneses nascidos no país) como impróprios para o serviço militar. O jovem Daniel Inouye tinha cerca de 20 anos nessa época e fazia parte desse grupo.

Embora considerado inimigo do país em que nasceu, Inouye não se deu por vencido e pediu que o governo revertesse a decisão. Em 1943 se ofereceu novamente. Assim, conseguiu entrar para o exército, fazendo parte daquele que seria conhecido mais tarde como o lendário 442° Regimento de Combate.

Daniel Inouye. (Fonte: Discover Nikkei/ Reprodução)Daniel Inouye. (Fonte: Discover Nikkei/ Reprodução)

A equipe do 442° era composta de voluntários nipo-americanos de vários estados, dos campos de internação e por aqueles que já estavam no exército quando a guerra explodiu, liderados por militares estadunidenses. Não demorou muito para Inouye subir de posto e, em seu 1° ano, virou sargento. Em 1944, foi para a Itália, mas seu regimento foi transferido para as Montanhas Vosges, na França.

O resgate do batalhão perdido

Daniel e o 442° provaram o valor do regimento nas Montanhas Vosges quando receberam a missão de resgatar 400 soldados de um batalhão de infantaria dos EUA que estavam cercados por forças nazistas. 

A equipe do 442° Regimento All-Nisei. (Fonte: The National Museum/ Reprodução)A equipe do 442° Regimento All-Nisei. (Fonte: The National Museum/ Reprodução)

Ao longo de 5 dias de confronto, o 442° conseguiu vencer as defesas alemãs, resgatando 211 homens. A missão foi cumprida, mas o 442° sofreu uma baixa enorme ao perder mais de 800 homens. O próprio Inouye recebeu um tiro no peito durante essa batalha e foi salvo graças a 2 moedas de prata que estavam em seu bolso e detiveram a bala.

O soldado sem braço

Em 21 de abril de 1945, Inouye, que já tinha se tornado tenente, liderou um ataque a um cume fortemente defendido pelos nazistas nas proximidades de San Terenzo, na Toscana (Itália).

Daniel Inouye na França em 1944. (Fonte: Reprodução)Daniel Inouye na França em 1944. (Fonte: Reprodução)

O seu pelotão foi surpreendido por uma emboscada com os soldados na mira de 3 metralhadoras MG-46. A equipe, que contava com cerca de 30 homens, estava sendo despedaçada, e Inouye acabou levando um tiro no estômago, mas a situação ficou ainda pior.

Mesmo ferido, Inouye resolveu atacar os ninhos de metralhadora dos alemães com granadas de mão, praticamente sozinho. Destruiu o primeiro ponto de ataque nazista. Embora tenha sido alertado de que sua ferida era grave, dispensou ajuda médica e reuniu seus homens para atacar a segunda metralhadora, que também destruiu antes de desmaiar devido à perda de sangue.

Enquanto seu esquadrão tentava distrair os soldados por trás da terceira metralhadora, Inouye recobrou a consciência e foi em direção ao último bunker, chegando a uma distância perto o suficiente para atingi-lo com uma granada.

Porém, ao levantar o braço para lançar o artefato, um soldado alemão disparou uma granada de fuzil, arrancando seu braço direito na altura do cotovelo. Com isso, a granada permaneceu preparada, mas fechada na mão que já não fazia mais parte de seu corpo.

Os soldados de seu pelotão até tentaram ajudá-lo, mas Daniel ordenou que se afastassem com medo de que seu braço decepado relaxasse e a granada explodisse, ferindo seus colegas.  

Daniel Inouye (extrema esquerda) em recuperação no Hospital do Exército Percy Jones em Battle Creek, Michigan. (Fonte: Biblioteca Robert Dole/Reprodução)Daniel Inouye (extrema esquerda) em recuperação no Hospital do Exército Percy Jones em Battle Creek (Michigan). (Fonte: Biblioteca Robert Dole/Reprodução)

Contudo, no momento em que o soldado alemão parou de atirar para recarregar seu rifle, o tenente aproveitou para arrancar a granada de sua mão inútil e atirá-la com o braço esquerdo contra o bunker, destruindo a última metralhadora.

Mesmo sem o braço direito, Daniel Inouye permaneceu no exército até 1947, quando foi dispensado com honras e no posto de capitão. Na época de sua saída do Exército, recebeu a medalha Estrela de Bronze e Coração Púrpura como reconhecimento de seus feitos e bravura.

Daniel em seu juramento ao Senado dos EUA com o vice-presidente Lyndon B. Johnson, em 1963.(Fonte: Centro Americano-Asiático-Pacífico/ Smithsonian/Reprodução)Daniel em seu juramento ao Senado dos EUA com o vice-presidente Lyndon B. Johnson, em 1963. (Fonte: Centro Americano-Asiático-Pacífico/ Smithsonian/Reprodução)

Em 1959, ele tomou posse na Câmara dos EUA e teve uma carreira marcante na política do Havaí, bem como do congresso estadunidense, onde atuou por 53 anos, entre a câmara e o senado até 2012, quando faleceu.

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