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Como é a vida de quem cava sepulturas para os mortos?

A primeira opção de profissão para a maioria das pessoas não é cuidar de túmulos. Em entrevista concedida à BBC, o coveiro Mark Sealey deu detalhes sobre sua rotina profissional em Leicestershire (Inglaterra), revelando o que o levou a atuar em um ramo tão solitário e quais as principais motivações que o impulsionaram a permanecer em cemitérios mesmo em meio à atual crise sanitária causada pela covid-19.

Segundo Sealey, que trabalha há 43 anos na cidade de Wigston como auxiliar em funerais e preparador de terrenos, sua carreira teve início quando um grupo de amigos interessados em rock e ideias hippies transitou naturalmente para a ocupação profissional em cemitérios. Além disso, a facilidade com o manuseio de máquinas e equipamentos pesados facilitou a rápida adaptação para cumprir as atividades rotineiras nas necrópoles.

(Fonte: BBC / Reprodução)(Fonte: BBC/Reprodução)

Hoje, o britânico trabalha 40 horas semanais no cemitério de Wigston e recebe entre 17 mil e 25 mil libras esterlinas anualmente (valor de cerca de R$ 123 mil a R$ 180 mil). Ele opera na manutenção do terreno, preparando sepulturas um dia antes do enterro e cobrindo com um pano moldado para preservá-las.

A visão sobre a carreira

Sealey revela que ainda há uma visão muito deturpada sobre a atuação em cemitérios, especialmente reforçada por personalidades solitárias ou desistentes mostradas em obras literárias, por exemplo. Porém, a carreira requer que os profissionais tenham total domínio sobre suas habilidades manuais e digitais, além de conhecerem práticas sobre saúde, segurança e avaliações de risco.

(Fonte: BBC / Reprodução)(Fonte: BBC/Reprodução)

A vida em cemitérios, além de ser incomum, trata-se de uma escolha extremamente desafiadora. Encarar o luto das pessoas, presenciar estados de espírito abalados e enfrentar situações inusitadas no dia a dia são apenas algumas das responsabilidades de um coveiro. Enquanto o profissional resiste ao curso natural da vida, guia o público enlutado e supera suas próprias dificuldades.

“Você viaja pela vida e tem seus próprios problemas. Eu tenho seis filhos, já tivemos todo tipo de coisa acontecendo. Mas você se levanta e vai trabalhar uma vez por dia, durante 43 anos”, conclui Sealey. “Estou muito orgulhoso do meu longo serviço e do fato de ter trabalhado com pessoas que o apreciaram. Tive prêmios ao longo do tempo por muito tempo de serviço e me sinto valorizado aqui.”

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