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Ilhas Marshall: o legado atômico e mortal dos EUA

As Ilhas Marshall é um arquipélago com 29 atóis (ilha oceânica em forma de anel), localizado entre o Havaí e a Austrália, e disputado pelos países desde 1521, com os japoneses perdendo ele de vez para os Estados Unidos em meados de 1944, às portas de entrar para a derradeira Segunda Guerra Mundial.

O momento foi propício, visto que grandes potências, como a americana, estavam entrando para o período mais atômico da história. Afinal de contas, os governos haviam chegado à conclusão que apenas uma bomba atômica poderia, de certa forma, colocar um fim na guerra e mostrar quem estava sob o controle do mundo.

De 1946 a 1958, os EUA realizaram 67 testes nucleares nos atóis da ilha graças à competição desenfreada para tentar superar a temida União Soviética.

As consequências                            

(Fonte: Los Angeles Times/Reprodução)(Fonte: Los Angeles Times/Reprodução)

Como sempre aconteceu, os habitantes foram os que sofreram as consequências dos testes. Em 1º de março de 1954, quando a bomba de hidrogênio Bravo, parte do Projeto Castle Bravo, foi detonada no Atol de Bikini às 6h45, formando uma bola de fogo que pôde ser vista a mais de 400 quilômetros de distância.

Um erro matemático durante sua concepção tornou a bomba ainda mais forte do que deveria, levando seu rastro de destruição para vários habitantes próximos. E, apesar de terem sido evacuados logo após o incidente, o governo americano enxergou neles mais uma oportunidade de estudar os efeitos da radiação no corpo humano do que tratá-los.

(Fonte: Architectural After Life/Reprodução)(Fonte: Architectural After Life/Reprodução)

Enquanto isso, os testes continuaram nas Ilhas Marshall, com a maioria dos restos radioativos dos dispositivos sendo despejado no Atol Enewetak, onde foi construído uma cúpula de concreto, na década de 1960, do tamanho de 35 piscinas de raia olímpica para conter a radiação e seus detritos, como parte dos esforços para restauração do atol.

No entanto, as mudanças climáticas e a falta de revisão estão comprometendo essa proteção, e os EUA se recusam a assumir a responsabilidade ou fornecer alguma ajuda, apesar da insistência do governo das Ilhas Marshall.

Como aponta uma matéria do The Diplomat de 2021, o Rongelap e o Atol de Bikini seguem inabitáveis, sendo quem muitos cidadãos das ilhas emigraram para a América na tentativa de escapar dos efeitos da radiação — mas nem todos conseguiram.

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