2 ideias absurdas que governos tiveram para usar bombas atômicas

Em 16 de julho de 1945, aconteceu a Experiência Trinity, o primeiro teste de arma nuclear da história, realizado pelos Estados Unidos perto de Alamogordo, Novo México. Quando o dispositivo de plutônio, cuja explosão era equivalente a cerca de 20 quilotons de trinitrotolueno (TNT), arrebentou, dando início à era atômica, a menos de 1 mês dos horrores de Hiroshima e Nagasaki, Robert Oppenheimer, físico dirigente do Projeto Manhattan, soube que o mundo nunca mais seria o mesmo — e ele tinha razão.

Apesar de a população mundial passar quase 1 década encolhida de medo da possibilidade de uma guerra nuclear que destruiria de vez a civilização humana, com o próprio governo dos EUA pedindo paz e tentando ressignificar o uso da energia nuclear, isso não impediu que cientistas continuassem apresentando ideias absurdas para poder usar uma bomba atômica.

Bombas e galinhas

(Fonte: History Army/Reprodução)(Fonte: History Army/Reprodução)

Temendo a ameaça dos EUA e que os soviéticos invadissem a Europa Oriental, os britânicos projetaram bombas nucleares para enterrar na Alemanha Oriental. Com a Guerra Fria, as tensões com os alemães estavam muito altas, tendo em vista a economia ocidental em guerra contra o comunismo soviético, e o país acabou dividido ao meio: os aliados capitalistas apoiaram o ocidente, enquanto os orientais eram controlados pelos soviéticos.

As bombas foram chamadas de Pavões Azuis e pesavam cerca de 7 toneladas de puro plutônio, podendo produzir explosões equivalentes a 10 mil toneladas de TNT que tornariam a Alemanha Oriental inabitável para as forças soviéticas — e para qualquer tipo de vida.

(Fonte: Britannica/Reprodução)(Fonte: Britannica/Reprodução)

Para impedir que as temperaturas do inverno interferissem na estabilização das bombas, os cientistas as colocaram em ninhos de galinhas com sementes suficientes para 10 dias, mantendo-as aquecidas para a contagem regressiva de 8 dias, seguindo a lógica de que um frango médio tem temperatura de 42 ­°C, o equivalente a mil BTU por hora de calor.

Em 1958, o projeto foi abandonado pelo governo, que estava preocupado que as galinhas pudessem danificar acidentalmente as bombas e explodir metade da Alemanha em um momento inoportuno.

Programa Plowshare

(Fonte: NewRezume/Reprodução)(Fonte: NewRezume/Reprodução)

Enquanto os cidadãos norte-americanos se acuavam, o governo trabalhava com empenho para poder usar o arsenal de tecnologia que poderia produzir com as fórmulas de uma bomba atômica.

A Operação Plowshare nasceu em 1958, depois que o Egito nacionalizou o Canal de Suez, com os políticos querendo saber se era viável construir um segundo canal usando dispositivos nucleares. Os cientistas envolvidos queriam entender quais problemas poderiam resolver com uma explosão nuclear, não qual era a melhor solução para um problema.

Visando usar as armas para fins pacíficos de construção, 31 ogivas foram detonadas em 27 testes separados, começando pelo primeiro experimento, apelidado de Sedan. Os cientistas criaram uma cratera no deserto de Nevada ao deslocar 12 milhões de toneladas de terra, transformando o local em uma área altamente radioativa. Demorou 7 meses para que uma pessoa pudesse pisar na cratera sem proteção.

(Fonte: Tumblr/Reprodução)(Fonte: Tumblr/Reprodução)

Os cientistas não pensaram muito no índice de radiação, apenas no sucesso do projeto, formulando todos os tipos de teste de engenharia civil para usar a nova pá atômica, que mudaria a linha de empreendimentos no país. O governo queria criar um porto artificial no Alasca com uma explosão de 2,4 megatons de armamento nuclear, formando um reservatório terrestre de profundidade suficiente para navios e uma conexão a um canal para o mar. Chamado Projeto Chariot, ele esteve bem perto de ser executado, mas acabou cancelado em 1962 devido à oposição massiva e ao valor militar e econômico.

Outras propostas surgiram, mas os impactos ambientais tornaram quase todos os projetos impossíveis. Ainda assim, o Plowshare ajudou a criar uma indústria turística em expansão em Las Vegas, o turismo atômico, com a quantidade de bombas que explodiram, apesar de nunca terem conseguido produzir resultados que tornassem mais prático o desafio de aproveitar a fissão para escavação direta.

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