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'Eu vou tomar um tacacá': afinal, o que é o tacacá na música da Joelma?

Em 2016, a cantora Joelma (ex-Calypso) inaugurou sua música Voando pro Pará com a seguinte frase: "Eu vou tomar um tacacá, dançar, curtir, ficar de boa. Pois quando chego no Pará, me sinto bem, o tempo voa". E assim como tudo que a rainha do brega pop toca, a música rapidamente se tornou um sucesso no Brasil inteiro e, mais recentemente, também explodiu em redes sociais como o TikTok.

Porém, uma pergunta não quer calar: para quem não é do norte do país, o que é o "tacacá" citado na canção? Esse é o nome dado para uma iguaria da região amazônica, em particular do Pará, Acre, Amazonas, Rondônia e Amapá, e possui grande importância para a cultura local por conta de sua origem indígena. 

Preparando um tacacá

(Fonte: GettyImages)(Fonte: GettyImages)

O tacacá é preparado com um caldo fino de cor amarelada chamado tucupi. Sobre esse caldo, coloca-se goma, camarão e jambu. O prato tradicional na região é servido muito quente, temperado com sal e pimenta, em cuias. Se você também não sabe o que é o tucupi, ele é um sumo amarelo extraído da raiz da mandioca-brava.

Esse líquido precisa ser deixado em repouso, de forma que a tapioca fique depositada no fundo do recipiente e o tucupi surja na parte superior. Acredita-se que essa receita tenha origem nos indígenas paraenses. No passado, o historiador Câmara Cascudo disse que o alimento deriva de um tipo de sopa indígena chamada mani poi. 

Vale ressaltar, no entanto, que o tacacá não é considerado uma refeição completa — o que explica o fato de Joelma dizer que iria "tomar um tacacá". Ele é uma espécie de bebida ou sopa, servida em cuias e vendida por empreendedoras apelidadas de "tacacazeiras". Geralmente, essas vendedoras costumam trabalhar na esquina das principais ruas das cidades nortistas vendendo os líquidos. 

Preparo do tacacá

(Fonte: GettyImages)(Fonte: GettyImages)

Como dito anteriormente, o tacacá é um alimento que possui grande representação cultural para os nortistas. Na região amazônica, essa sopa não pode faltar nos finais de tarde de maneira alguma. Inclusive, ela é tão significante que costuma aparecer nos versos das canções de vários compositores da região, não apenas de Joelma.

Na hora de servir, o tucupi deve ser misturado na cuia com goma de tapioca cozida, jambu e camarão seco. O jambu, para os desinformados, é uma planta rasteira, que costuma ser visto como um companheiro inseparável do tucupi na preparação da maioria dos pratos típicos do norte do Brasil — sobretudo tacacá e pato.

Outro ponto interessante é que as folhas de jambu, quando mastigadas, produzem leve tremor nos lábios e sentimento de "anestesia", o que faz com que muitos o apontem como afrodisíaco. A cachaça de jambu também é uma bebida bastante famosa na região e que costuma deixar seus consumidores babando por aí. 

Agora que você tem todas essas informações em mãos, está pronto para tomar um tacacá com a Joelma? 

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