Ursos-polares estão fazendo cocô com purpurina em nome da Ciência
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Ursos-polares estão fazendo cocô com purpurina em nome da Ciência

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Imagine que você precisasse coletar amostras de fezes de ursos-polares mantidos em cativeiro, mas apenas de indivíduos específicos. Como você faria para saber que o cocô que você precisa selecionar para os exames foi produzido pelo urso que faz parte do seu estudo? Os cientistas de um centro de conservação e pesquisa de animais ameaçados do Zoológico de Cincinnati, nos EUA, encontrou uma forma “brilhante” de fazer isso!

Ciência colorida

De acordo com Madison Dapcevich, do site IFLScience!, os pesquisadores começaram a adicionar purpurina – e às vezes corante alimentício – às refeições dos ursos-polares, para que, dessa forma, não ocorra confusão na hora coletar as amostras e de examinar os cocôs em laboratório, e eles saibam qual animal defecou exatamente o quê.

(Reprodução / The Maryland Zoo in Baltimore)

Essa artimanha se faz necessária porque o centro – chamado Lindner Center for Conservation and Research of Endangered Wildlife ou CREW – abriga mais de 30 mil amostras congeladas de fezes de ursos-polares, coletadas a partir de 63 animais de 30 zoológicos diferentes. A iniciativa é parte de um projeto criado para estudar como funciona o ciclo de reprodução dos ursos-polares, já que o processo é pra lá de complexo e não é fácil de ser observado na natureza.

Complexidades

Para se ter ideia, segundo os cientistas, os ursos-polares apenas acasalam em determinadas épocas do ano e a ovulação das fêmeas é induzida pela atividade sexual. Além disso, elas podem apresentar um tipo de fertilização na qual o embrião se desenvolve até certa etapa, o processo é suspenso por vários meses, e só volta a se tornar ativo mais tarde, geralmente no outono.

Sem falar que as fêmeas podem apresentar pseudogestações e grandes variações hormonais – e, sem a realização de exames mais invasivos, na maioria das vezes é impossível dizer se elas realmente estão gestando filhotes ou não. A coleta de fezes permite que os pesquisadores descubram quando uma ursa está grávida e acompanhem o ciclo reprodutivo de diversos exemplares, uma vez que normalmente 1 ou 2 delas tem ursinhos no ano. Fazer o mesmo tipo de estudo e acompanhamento com animais vivendo na natureza seria impossível e, sem adicionar purpurina e outros marcadores às refeições das fêmeas mantidas em cativeiro, seria bem mais trabalhoso separar o cocô que interessa para os fins do estudo.

(Reprodução / Polar Bear Endangered)

A pesquisa é superimportante, visto que os ursos-polares são animais que estão sofrendo enormemente com a perda de habitat e com o degelo causado pelo aquecimento global – além de viverem nas regiões árticas, esses animais usam as plataformas de gelo para poder caçar –, e com a fome e a perda de peso, pode ser que as fêmeas não sejam capazes de gerar mais filhotes.

Outro problema é que é extremamente difícil conseguir que essas os ursos-polares reproduzam em cativeiro, portanto, compreender em detalhe como o ciclo se dá pode permitir que os cientistas encontrem formas de ajudar os animais. E como os responsáveis pelo projeto também receberam amostras de fezes de outras espécies – como guepardos, hipopótamos e rinocerontes –, outras criaturas podem se beneficiar da iniciativa.

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