Dois embriões separam o rinoceronte-branco-do-norte da extinção

Dois embriões separam o rinoceronte-branco-do-norte da extinção

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O nascimento de Edward no último dia 29 de julho no Zoo de San Diego foi recebido com alegria e esperança tanto por cientistas de pelo menos dez institutos de pesquisa espalhados pelo mundo quanto por um grupo especial de 32 soldados do exército do Quênia. Pesando cerca de 67 quilos, o pequeno rinoceronte-branco-do-sul representa a última chance de salvar uma espécie praticamente extinta: o rinoceronte-branco-do-norte, que agora se resume a duas fêmeas e dois embriões congelados.

Edward foi gerado graças à inseminação artificial de sua mãe, Victoria. A técnica já foi aplicada anteriormente nesta espécie, sem muito êxito; este é o primeiro nascimento da América do Norte, e representa mais uma etapa no longo trabalho para recuperar geneticamente o rinoceronte-branco-do-norte. As duas fêmeas remanescentes foram as doadoras dos óvulos agora fertilizados; a reprodução assistida é a única esperança de sobrevivência da espécie.

O nascimento de Edward foi um passo decisivo na luta pela revitalização da espécie de rinoceronte-branco-do-norte. (Fonte: San Diego Zoo Global/Divulgação)

Longo caminho até a fertilização in vitro

Do outro lado do mundo, Najin e sua filha Fatu pastam na reserva Ol Pejeta guardadas por soldados 24 horas por dia. Há dez anos, havia dois casais em um zoológico na República Tcheca. Em 2009, foi inaugurada a reserva com o objetivo de reproduzi-los, sem sucesso. Em 2014, Suni morreu; em março de 2018, foi a vez de Sudan, sacrificado por conta de problemas de saúde ligados à idade (ele tinha 45 anos). 

A espécie está funcionalmente extinta, depois de ser dizimada entre os anos 1970 e 1980 pela caça ilegal. Seu destino parece selado: as duas fêmeas são filha e neta de Sudan; Najin tem 30 anos (o que equivale, em tempo humano, a 60 anos), e Fatu, 18. Além disso, o sêmen disponível para a fertilização in vitro provém de apenas quatro machos.

Os óvulos de Fatu foram coletados por pesquisadores do Instituto Leibniz-IZW em um procedimento arriscado. (Fonte: Ol Pejeta Conservancy/Ami Vitale)

Depois de conseguir produzir em laboratório embriões com óvulos da subespécie do sul e esperma da subespécie do norte, o passo seguinte foi extrair óvulos das fêmeas sobreviventes: Najin doou quatro e Fatu, três. Os óvulos então foram levados para a Itália (onde está o Avantea, laboratório de ponta para reprodução animal in vitro) para serem fertilizados com esperma dos machos mortos. Como resultado, dois embriões surgiram, mas não poderão ser implantados nas doadoras: Fatu tem uma doença degenerativa do útero e Najin sofre de fraqueza nos membros inferiores.

Células-tronco para amenizar pouca diversidade genética

A pouca diversidade genética não será suficiente para criar uma população autossustentável, e por isso os cientistas estão trabalhando com células-tronco: congeladas, ainda existem células cutâneas de 13 rinoceronte-branco-do-norte. Por enquanto, os óvulos fertilizados serão mantidos em nitrogênio líquido para, posteriormente, serem transferidos para um rinoceronte-branco-do-sul, que servirá como mãe de aluguel. Se tudo correr bem, espera-se que o primeiro rinoceronte-branco-do-norte nasça em três anos.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=95&v=ER0CdyZjkhs

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