Caveiras de sapo são mais fantásticas do que você pensa

Caveiras de sapo são mais fantásticas do que você pensa

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Sabe aquele bichinho divertido que fica na beira das lagoas pegando moscas e, eventualmente, sendo beijado por uma princesa em busca do amor verdadeiro? Pois é, o sapo tem uma cabeça aparentemente simples e com uma superfície geralmente lisa. Porém, nem todos os sapos são desse jeito.

Um estudo publicado por biólogos do Museu de História Natural da Flórida em 27 de março de 2020 revelou que muitos daqueles anfíbios desenvolveram sob a pele características verdadeiramente bizarras, como presas artificiais, cristas elaboradas, "armaduras com elmos" e agulhas de liberação de veneno.

Segundo Daniel J. Paluh, um dos autores do artigo científico, "como os sapos parecem tão iguais, não houve muito interesse em estudar suas anatomias", mas reconhece, conforme a pesquisa mostrou, que ainda há muito para aprender sobre a evolução, a ecologia e a anatomia desses animais.

Estudando a diversidade da cabeça do sapo

Fonte: Florida Museum/Reprodução(Fonte: Florida Museum/Reprodução)

Os pesquisadores fizeram digitalizações em 3D para estudar o formato do crânio de 158 espécies de sapo, representando todas as famílias conhecidas daquele anuro. O resultado foi alguns crânios com formas radicais, geralmente composta de sulcos, cristas e fossas constituídos por camadas extras de ossos.

Esse processo, conhecido cientificamente como hiperossificação, evoluiu mais de 25 vezes nos sapos. Mesmo separados por milhões de anos de evolução, algumas espécies com os mesmos hábitos alimentares ou de defesa tendem a desenvolver crânios com formas e padrões semelhantes. 

Embora a hiperossificação tenha evoluído filogeneticamente distinta em diferentes linhagens, apresentou um padrão ligado à expansão morfológica da cabeça em múltiplas formas e funções. Não foi possível verificar nenhuma relação entre a hiperossificação e o tamanho do animal.

Conclusões

O fator que provou ter influência na forma dos crânios é o hábitat: sapos aquáticos tendem a desenvolver crânios longos e achatados, enquanto o sapo escavador tem crânio curto e focinho pontudo, que permite a ele utilizar a boca como um hashi (palito japonês) para pegar presas pequenas e agitadas, como formigas e cupins. 

Um dos pesquisadores, David C. Blackburn, reconheceu que é mais fácil gerar belas imagens de crânios de sapo do que propriamente saber o que eles comem. E conclui: "História natural continua sendo uma matéria muito difícil. Só porque sabemos que as coisas existem não significa que conheçamos muito a respeito delas". 

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