Veneno de abelha mata células com câncer e potencializa quimioterapia

Veneno de abelha mata células com câncer e potencializa quimioterapia

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Uma pesquisa divulgada pelo Harry Perkins Institute of Medical Research, importante centro de pesquisa da Austrália, mostra que uma molécula existente no veneno de abelha é capaz de suprimir o crescimento de células cancerosas no organismo.

Utilizando o veneno de 312 abelhas e zangões da cidade australiana de Perth, e também da Irlanda e da Inglaterra, a dra. Ciara Duffy, médica do citado instituto e da University of Western Australia, testou a toxina em certos subtipos de câncer de mama, incluindo o tipo triplo-negativo (TNBC), uma condição muito agressiva, com poucas opções de tratamento.

Dra. Ciara Duffy (Fonte: Harry Perkins Institute of Medical Research/Reprodução)Dra. Ciara Duffy (Fonte: Harry Perkins Institute of Medical Research/Reprodução)

Fatores de crescimento do câncer

O TNBC (Triple Negative Breast Cancer) é responsável por cerca de 15% de todos os cânceres de mama diagnosticados no mundo. O mais grave é que essas células produzem várias moléculas chamadas EGFR ( siga em inglês para receptor do fator de crescimento epidêmico), proteína que acelera o crescimento e a replicação das células cancerígenas.

Outra molécula também preocupante nos cânceres de mama chama-se HER2, ou receptor tipo 2 do fator de crescimento epidérmico humano. Em níveis normais, a célula tem grande importância no crescimento epitelial, mas o aumento desse receptor é responsável por 25 a 30% dos cânceres de mama.

Nas tentativas feitas até hoje para o tratamento dessas mutações genéticas, os medicamentos que visavam destruir essas moléculas acabavam atingindo, de forma agressiva, também as células saudáveis.

Fonte: Dimas Ardian/Getty Images/ReproduçãoFonte: Dimas Ardian/Getty Images/Reprodução

O que faz o veneno da abelha?

Num comunicado à imprensa, a dra. Duffy afirmou que "ninguém havia comparado antes os efeitos do veneno da abelha, ou a melitina [seu princípio ativo], em todos os diferentes subtipos de câncer de mama e células normais". Ela testou o veneno de abelha em células normais e naquelas com presença de EGFR e HER2.

Os resultados foram impressionantes: o veneno de abelha e a melitina reduziram de forma significativa, seletiva e rápida as células com câncer de mama "enriquecidas" com TNBC e HER2. Em algumas concentrações específicas, o veneno de abelha foi capaz de matar 100% das células cancerígenas.

Mas a melhor parte da experiência foi que a melitina teve um impacto muito reduzido nas células normais, visando especificamente aquelas que produziram muito EGFR e HER2. E, quando combinada com drogas quimioterápicas, a melitina suprimiu o crescimento dos tumores existentes.

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