Mulheres impulsionam estudos sobre o canto de aves fêmeas

Mulheres impulsionam estudos sobre o canto de aves fêmeas

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Durante décadas, cientistas e biólogos de todo o planeta estudaram apenas as características do canto de pássaros machos, relacionando a música com um recurso para atrair as fêmeas. O fato não excluía a existência de “passarinhas” cantoras, mas as colocavam como raras ou incomuns, sugerindo que perderam a habilidade vocal em algumas espécies. Novas análises, porém, estão provando que o canto de aves femininas é bem mais comum do que se imaginava.

Um novo artigo proposto pelos biólogos Kevin D. Haines, Evangeline M. Rose, Karan J. Odon e Kevin E. Omland, do Departamento de Ciências Biológicas, Universidade de Maryland, Estados Unidos, está propondo uma revisitada geral em diversas publicações sobre a música de pássaros através de uma perspectiva analítica diferenciada, avaliando a participação plural de cientistas homens e mulheres na compreensão do comportamento de aves.

Segundo os autores, cerca de 20 anos de pesquisas foram revisadas, focando em publicações sobre “canções femininas”. Ao observarem os líderes dos projetos por meio de contagens de gênero e posição de autoria, foram encontradas “fortes associações entre o tópico de pesquisa e o gênero do autor”, sugerindo que “as mulheres estão dando uma contribuição maior para o campo emergente do canto das aves femininas”, constituindo 68% das autorias principais sobre o tema.

Nos últimos anos, estudos sobre duetos masculino/feminino em trupais-venezuelanos e sobre o canto de comunicação entre fêmeas de pássaros-azuis-orientais ganharam força, indicando que não foram os machos que desenvolveram habilidades vocais, mas o gênero oposto que, em algumas espécies, perdeu a habilidade de cantar.

A importância da diversidade na área científica

Os resultados obtidos nas últimas décadas só mostram a importância da contribuição das mulheres na ciência. No caso do estudo dos pássaros, foi observado que houve uma tendência de inclinação para objetos de um mesmo gênero, com homens mais propensos a pesquisar cantos de aves machos, assim como mulheres estudando mais os sons de fêmeas. Depois de 150 anos de início de pesquisas, a evolução dos trabalhos intergêneros foi bastante desproporcional, reforçando a necessidade de ambientes diversificados.

Dessa forma, a pesquisa concluiu que o gênero foi determinante para a formação de novas perspectivas, através de um aspecto de identidade que constrói importantes bases para o avanço dos estudos nas mais diversas áreas, com fatores sociais e individuais direcionando para novos caminhos e focos que certamente poderão contribuir com análises mais completas.

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