Bactéria da Terra sobrevive por mais de um ano no espaço

Quem já assistiu ao filme Vida (2017) sabe que um organismo precisaria de características específicas para sobreviver no espaço. Porém, longe da ficção, no ano de 2015, a bactéria Deinococcus radiodurans conquistou esse feito e passou um ano inteiro do lado de fora da Estação Espacial Internacional. Entenda:

Sobrevivendo no espaço

Sobreviver no espaço, mesmo que no módulo pressurizado da Estação Espacial Internacional (ISS), é um grande desafio, visto que a estadia fora da Terra pode modificar DNAs, micróbios intestinais e impulsionar a perda de densidade óssea. 

Isso quer dizer que resistir fora do módulo pressurizado é praticamente impossível, pois ameaças como a radiação ultravioleta e as grandes flutuações de temperatura são constantes. 

Contudo, durante um experimento realizado em 2015, a bactéria Deinococcus radiodurans sobreviveu do lado de fora da ISS por mais de um ano e voltou para a Terra viva e bem-humorada.

Deinococcus radiodurans sobreviveu a um ano no espaço
Deinococcus radiodurans sobreviveu a um ano no espaço. (Fonte: Tetyana Milojevic)

O experimento

A pesquisa “Molecular repertoire of Deinococcus radiodurans after 1 year of exposure outside the International Space Station within the Tanpopo mission”, publicada no periódico Microbiome em 2020, buscava entender se bactérias poderiam sobreviver em outros planetas, já que nós, seres humanos, pretendemos viajar cada vez mais longe no Sistema Solar.

Para isso, as células bacterianas foram desidratadas e colocadas na “Exposed Facility”, uma plataforma continuamente exposta ao ambiente espacial. Neste caso, as células estavam atrás de uma janela de vidro que bloqueava a luz ultravioleta em comprimentos de onda inferiores a 190 nanômetros. 

A volta da bactéria Deinococcus para a Terra

Depois de um ano no espaço, os micróbios voltaram à Terra e foram comparados com bactérias de controle, que passaram o mesmo período no nosso planeta. 

A taxa de sobrevivência foi muito menor para as bactérias que estiveram no espaço em comparação com a versão de controle, mas as que sobreviveram pareciam estar bem, mesmo que tivessem se tornado um pouco diferentes de suas irmãs terrestres. 

A equipe descobriu que as bactérias que ficaram no espaço estavam cobertas por pequenas vesículas na superfície, uma série de mecanismos de reparo foram acionados e algumas proteínas e mRNAs se tornaram mais abundantes. 

Os pesquisadores não sabem exatamente porque as vesículas se formaram, entretanto, defendem que as bactérias sobreviveram ao espaço graças ao seu sistema de resposta molecular eficiente.

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