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Cicatrizes em tubarão-branco sugerem ataques de lula-gigante

De acordo com um novo estudo publicado na Scientific Reports, cientistas marinhos descobriram novas evidências as quais sugerem que tubarões-brancos têm sido atacado por lulas-gigantes no Oceano Pacífico. A análise aponta a aparição de marcas de ventosas e enormes cicatrizes nos grandes predadores como maiores evidências para o relato.

O estudo analisou 14 tubarões com as mesmas marcas peculiares no corpo durante cinco anos entre o período de 2008 a 2019. A maioria dos espécimes vítimas dos golpes ainda não havia atingido idade adulta e apresentavam quase todas as cicatrizas nas regiões da cabeça e do tronco.

Batalha entre gigantes

(Fonte: Becerril-García)
(Fonte: Becerril-García)

A análise foi feita nas redondezas da Ilha de Guadalupe, localizada na costa oeste do México e muito famosa pela aparição de tubarões-brancos. “As cicatrizes observadas nos tubarões tinham camadas duplas ou únicas das marcas de múltiplas ventosas ao redor de suas cabeças e entre suas nadadeiras dorsais e peitorais”, explicou o estudo.

Para os pesquisadores, as feridas próximas a área da boca e do tronco dos tubarões-brancos indicam uma postura defensiva característica das lulas a esse tipo de ataque. Em outras espécies, como os tubarões-azuis, os cefalópodes são parte importante na dieta dos predadores, pois sua carne é rica em proteínas e carboidratos.

Por outro lado, não existem muitos registros históricos sobre interações entre tubarões-brancos e lulas-gigantes, o que torna a pesquisa ainda mais excitante. Até o momento, as únicas criaturas que haviam se mostrado capazes de parar esses assassinos insaciáveis foram as orcas.

Encontro nas profundezas

(Fonte: Unsplash)
(Fonte: Unsplash)

Estima-se que ao norte do Oceano Pacífico, onde existe uma larga população de tubarões-brancos, também exista uma grande população de diversas espécies de lulas, inclusive as lulas-gigantes que podem alcançar um tamanho de 14 metros de comprimento.

Dessa forma, o fascinante embate entre essas duas criaturas precisaria acontecer nas grandes profundezas do mar. Um tubarão em crescimento costuma nadar na chamada “zona de crepúsculo”, nome dado para a camada de água onde a luz solar não possui alcance — 200 metros a 1 km de profundidade. Apesar dos estudos ainda não confirmarem que as cicatrizes são resultantes de um embate com lulas-gigantes, os dados fornecem alguma visão sobre o assunto.

Conforme os números do Shared Offshore Foraging Area (SOFA), os tubarões de Guadalupe costumam descer, em média, 300 metros para encontrar suas prezas. Nessa região, eles já estão expostos ao contato de diversas outras criaturas, incluindo suas possíveis novas arquirrivais. 

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