Navio viking é escavado na Noruega e traz pistas do passado

Uma equipe de arqueólogos pretende concluir ainda neste mês a escavação de um navio viking em Gjellestad (Noruega). A embarcação tem 19 metros de comprimento, 5 metros de largura e foi encontrada graças ao uso de um radar de penetração do solo (GPR) perto de Jell Mound, um dos maiores montes funerários da Idade do Ferro em toda a Escandinávia.

Como era de se esperar, a maior parte do navio apodreceu ao longo dos séculos; porém, detalhes como o design dos pregos e o que sobrou da quilha favorecem a construção de uma réplica no futuro. A estimativa dos estudiosos é de que ele seja do período viking pré-cristão (anos 750-850). 

“Ainda não sabemos se ele era a remo ou a vela. Outros, como o Gokstad e o Tune, combinavam remo e vela”, relatou o arqueólogo Knut Paasche, do Instituto Norueguês para Pesquisa do Patrimônio Cultural. Segundo o pesquisador, o estudo da quilha também será essencial: “a quilha parece muito diferente das outras, o que é realmente empolgante”.

O poder viking

Barcos e navios imponentes eram símbolos de poder entre os vikings, tanto na vida quanto após a morte. Sendo assim, era comum que membros da nobreza fossem enterrados com objetos nas embarcações, na maior expressão possível de status e riqueza.

De acordo com o especialista Christian Rodsrud, líder da escavação, o enterro no navio pode ter sido para um rei, uma rainha ou outro nobre. “Tenho certeza que essa sociedade tinha contatos distantes, e a pessoa enterrada deve ter viajado bastante.” 

(Fonte: M. Havgar/KHM/Reprodução)
As escavações começaram em junho deste ano. (Fonte: M. Havgar/KHM/Reprodução)

Outro fato que corrobora essa constatação é que a sepultura apresenta indícios de ter sido saqueada, talvez por rivais da família nobre, como um ato político. Essa é a aposta descrita em um artigo publicado recentemente no periódico Antiquity

Ainda não foram encontrados ossos humanos com o navio escavado em Gjellestad, mas os arqueólogos identificaram os ossos de um animal grande — provavelmente um cavalo ou um búfalo. Já os objetos devem ter sido removidos pelos saqueadores.

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