Peso dos objetos feitos pelo homem supera o de todas as coisas vivas

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Um estudo publicado na quarta-feira (9) por cientistas do Instituto Weizmann de Ciências em Rehovot, Israel, deu uma medida quantitativa do impacto que os seres humanos estão tendo no planeta Terra: para esses pesquisadores, o peso dos objetos feitos pelo homem provavelmente irá exceder o dos seres vivos até o final deste ano.

Publicado na revista Nature, o estudo revelou que a massa total de materiais feitos pelo homem em 1900, tais como concreto, aço e asfalto, representava na época cerca de 3% da biomassa existente, relativa a plantas, animais e microrganismos.

Fonte: GettyImages
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Assim que os seres humanos foram construindo mais edifícios, cidades, estradas, estruturas e objetos variados nos últimos 120 anos, o peso total desses artefatos cresceu de menos de 0,1 teratonelada para aproximadamente 1,1 teratonelada, ou 1 trilhão de toneladas. A continuar nesse ritmo, essa massa de objetos poderá chegar a 3 teratoneladas no ano de 2040.

O líder da pesquisa, dr. Ron Milo, afirmou à BBC News que considera o significado dessa comparação simbólico, pois reflete bem o papel que a humanidade está representando na formação do mundo e da configuração da Terra que nos cerca. Atualmente, segundo o estudo, para cada pessoa no mundo, mais do que o seu peso corporal está sendo produzido em coisas a cada dia.

Fonte: Itai Raveh/Reprodução
Fonte: Itai Raveh/Reprodução

Metodologia utilizada

Para fazer o levantamento de dados, os cientistas se apropriaram de um conjunto de informações existentes. O cálculo da biomassa, por exemplo, foi adaptado de um estudo de 2018, em que pesquisadores apuraram a massa de todos os seres vivos da Terra e sua distribuição. O estudo mostrou que os seres humanos constituem apenas 0,01% da biomassa viva do planeta.

No caso do peso dos materiais feitos pelo homem,  a pesquisa se baseou principalmente num trabalho do Instituto de Ecologia Social e da Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida, de Viena, que coligiram durante anos diversos dados de agências estatísticas nacionais, grupos da indústria e outras informações sobre fluxo de material.

Para Milo, as pessoas normalmente pensam que nossos atos não pesam porque somos minúsculos e o mundo, muito grande. No entanto, afirma ele, “nosso impacto não é mínimo. Ter um número realmente quantifica isso”.

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