Osso atribuído ao apóstolo Tiago, o Menor, não é dele, diz estudo

Um estudo publicado recentemente na revista Heritage Science, conduzido por arqueologistas da Universidade do Sul da Dinamarca, negou a validade de uma das relíquias mais famosas da Igreja Católica Romana: os ossos do apóstolo Tiago, o Menor, mantidos há séculos na Basílica dos Santos Doze Apóstolos, em Roma.

O osso da coxa do santo, conservado no templo por mais de 1,5 mil anos, foi submetido a uma datação por radiocarbono, que revelou que o fragmento não pertencia ao apóstolo. Segundo o principal autor da pesquisa, Kaare Lund Rasmussen, as datas reveladas “caem em um período obscuro, entre a época que os apóstolos morreram e a que o Cristianismo se tornou religião dominante no Império Romano”.

Em um comunicado à imprensa, divulgado no início deste mês, Rasmussen explica que o alegado osso femoral de São Tiago foi datado entre 214 e 340 a.C. pertencendo, portanto, a um indivíduo 160 a 240 anos mais jovem do que ele. 

Fonte: Kaare Lund Rasmussen/SDU/Divulgação
Fragmentos do fêmur que se pensava serem do santo (Fonte: Kaare Lund Rasmussen/SDU/Divulgação)

O início do Cristianismo no Império Romano

Os primeiros séculos do Cristianismo foram muito duros para a minoria cristã, especialmente para um apóstolo considerado por estudiosos como irmão do próprio Jesus Cristo. A situação mudou a partir do ano 380, quando o Imperador Teodósio declarou o Cristianismo como religião oficial, e determinou que fossem erguidas igrejas por todo o Império Romano.

Após a construção desses templos, os restos mortais de mártires cristãos passaram a ser removidos de suas catacumbas (cemitérios subterrâneos coletivos) e levados como relíquias para adoração nas cidades designadas. Esta prática se aplicou aos restos mortais do jovem Tiago, cujo fêmur foi levado para a basílica no século VI d.C.

O trabalho da equipe consistiu em descontaminar o fêmur, preservado por mercúrio há centenas de anos, do qual foi extraído o colágeno que forneceu um único aminoácido que foi submetido à datação por radiocarbono, cujos isótopos revelam a última vez em que estiveram em algo vivo.

Segundo os pesquisadores, é provável que as pessoas que levaram o fêmur para a igreja no século VI tenham agido de boa fé, pois os ossos “pertenciam a um dos primeiros cristãos, apóstolo ou não”.

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