'Velho coronavírus' pode ter infectado asiáticos há 25 mil anos

Há cerca de 25 mil anos, antigos povos do leste da Ásia podem ter confrontado uma primeira variante do coronavírus, sendo os principais responsáveis por transmitir um conjunto de genes mutantes e mais resistentes para as gerações seguintes.

Para que um vírus tenha sucesso em sua replicação, é necessário que ele seja capaz de interagir com centenas de proteínas humanas diferentes, além de contar com um pouco de sorte para "sequestrar" células que estejam com seus sistemas de combate "desligados". Dessa forma, a codificação dessas proteínas surge como principal responsável por uma série de mutações de genes, sendo transmitidos posteriormente ou selecionados, em suas novas formas, para as próximas gerações.

Porém, através de pesquisas com ferramentas modernas e bancos de dados públicos, cientistas da Universidade do Arizona identificaram que os genes mutantes que adicionam uma vantagem — como maior resistência ou meios de combate a um vírus — são mais propensos à hereditariedade, como foi identificado especialmente em pessoas de ascendência do leste asiático. Segundo pesquisas, essas variantes apareceram com uma frequência maior do que o esperado, e tudo indica que estão ajudando os orientais a se tornarem mais resistentes.

(Fonte: Shutterstock / Reprodução)(Fonte: Shutterstock / Reprodução)

Das 420 proteínas estudadas em 26 grupos humanos diferentes em todo o mundo, 10% indicaram que a frequência de surgimento das vantagens adaptativas surgiram há 25 mil anos, continuando a se espalhar por quase 15 mil anos devido a uma série de outros incidentes epidêmicos que possam ter assolado as populações do leste terrestre por um longo período de tempo.

Mistérios sobre o vírus primordial

Apesar dos estudos presumirem a existência de um vírus que há muito tempo entra em contato com a humanidade, não há conclusões definitivas sobre a participação de um coronavírus como principal meio de impulsão da adaptação em humanos, visto que pode ter sido uma outra espécie de vírus que interagiu com as células de uma forma similar ao SARS-CoV.

Com os resultados das pesquisas, cientistas e virologistas se unem para compreender como os humanos antigos conseguiram sobreviver a uma infecção de um possível coronavírus e como tais resultados podem funcionar como um "sistema de alerta antecipado" de combate a novas pandemias.

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