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Chernobyl registra aumento 'preocupante' de reações nucleares

Pesquisadores responsáveis por monitorar as ruínas do acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, têm registrado um aumento das reações de fissões nucleares em uma sala inacessível do complexo. A atividade está deixando especialistas preocupados com a possibilidade de uma nova explosão.

“É como as brasas em uma churrasqueira”, contou o químico de materiais nucleares da Universidade de Sheffield (Inglaterra) Neyl Hyatt, em entrevista dada à Science no início de maio. Ele se refere à atividade nuclear envolvendo as massas de urânio combustível na sala 305/2 da usina.

A câmara não é acessada por humanos nem robôs desde o acidente nuclear ocorrido em 26 de abril de 1986, quando ela foi inundada por material radioativo vazado do reator derretido. Mas o monitoramento indica que a atividade no interior da sala aumentou 40% a partir de 2016.

(Fonte: The Independent/Reprodução)(Fonte: The Independent/Reprodução)

O movimento registrado pelos cientistas se deve às fissões nucleares, uma reação na qual os núcleos atômicos instáveis são quebrados em outros menores por meio do bombardeamento de nêutrons. Este processo já ocorreu em outras oportunidades, mas os pesquisadores querem saber se será preciso intervir, desta vez, para reduzi-lo.

Novo abrigo pode ser o culpado

Ainda não se sabe o que levou ao aumento das fissões nucleares na câmara. Uma das principais hipóteses levantadas tem relação com a instalação de uma nova estrutura sobre as ruínas, em 2016. Enquanto o abrigo original permitia a passagem de água da chuva, o mais recente vedou por completo o local.

Com a água diminuindo no interior da sala, o temor é de que as reações de fissão se intensifiquem, podendo gerar uma liberação descontrolada de energia nuclear. “É um lembrete para nós de que não é um problema resolvido, é um problema estabilizado”, disse Hyatt sobre a situação de Chernobyl.

Novo abrigo protegendo o reator. (Fonte: Science/Reprodução)Novo abrigo protegendo o reator. (Fonte: Science/Reprodução)

Em outras ocasiões, as emissões de nêutrons acabaram se estabilizando sozinhas. Mas se for necessária a intervenção, os cientistas pensam em enviar um robô capaz de resistir à radiação intensa por um tempo maior, com a missão de inserir cilindros que ajudariam no controle e na absorção dos nêutrons.

O trabalho de prevenção inclui também o monitoramento de outras duas áreas onde há risco de acontecer atividade semelhante.

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