Como os mosquitos usam a visão para encontrar e picar você?

Entender como os mosquitos utilizam a visão para picar os seus alvos é importante para diminuir a incidência de algumas doenças. 

Os mosquitos fêmeas Aedes aegypti, por exemplo, picam durante o dia e são vetores de doenças, como dengue, febre amarela e zika. Assim, os pesquisadores desenvolveram um estudo para entender como essas fêmeas reconhecem os humanos visualmente. 

Como os mosquitos enxergam 

Os mosquitos utilizam várias formas de detectar a presença de um alvo. Em um estudo realizado na Universidade da Califórnia, os cientistas concluíram que 90% dos nervos das antenas dos mosquitos são dedicados à detecção de substâncias, como ácido lático que está presente no suor. Assim, pessoas que suam mais são encontradas mais facilmente pelos insetos. 

O A. aegypti é originário do Egito. A dispersão pelo mundo ocorreu da África: primeiro da costa leste do continente para as Américas, depois da costa oeste para a Ásia. (Fonte: Pixabay/Reprodução)O Aedes aegypti é originário do Egito. A dispersão pelo mundo ocorreu da África: primeiro da costa leste do continente para as Américas, depois da costa oeste para a Ásia. (Fonte: Pixabay/Reprodução)

Além disso, eles conseguem detectar o índice de CO2, odores orgânicos e temperatura. Outro ponto a ser ressaltado é que os mosquitos enxergam melhor em ambientes menos coloridos, como os quartos escuros. Por isso, à noite, fica mais fácil para eles localizar seus alvos. 

Os resultados do estudo 

Os mosquitos têm olhos sensíveis e com baixa resolução. Quando a fêmea detecta uma nuvem de CO2, ela fica ativa e começa a procurar o hospedeiro. A direção do vento e a busca por algo escuro também fazem parte do processo até alcançar o alvo. Assim, a equipe de pesquisadores da Universidade de Washington utilizou essa tendência para realizar o experimento. 

A equipe utilizou três ensaios para avaliar a visão dos mosquitos. Eles observaram a capacidade dos mosquitos se moverem em direção à luz; eles também conectaram eletrodos aos olhos para medir as mudanças de voltagem em resposta à luz e, por fim, o terceiro ensaio foi uma resposta optomotora, colocando os animais no centro de um cilindro giratório com listras verticais pretas e brancas. 

Após estabelecer os ensaios, os autores começaram a trabalhar selecionando receptores para investigar. Eles tinham como objetivo identificar uma proteína sinalizadora cuja ausência eliminaria o reconhecimento do alvo, mas não outros comportamentos visuais. 

Os resultados mostraram que a inativação dos receptores Opsin1 (Op1) e Opsin2 (Op2) interrompe a capacidade das fêmeas do Aedes aegypti reconhecerem os seres humanos. (Fonte:Pixabay/Reprodução)Os resultados mostraram que a inativação dos receptores Opsin1 (Op1) e Opsin2 (Op2) interrompe a capacidade das fêmeas do Aedes aegypti reconhecerem os seres humanos. (Fonte: Pixabay/Reprodução)

Em testes, ao introduzir mutações que eliminam duas das cinco opsinas no olho do mosquito, os insetos com mutações continuaram se movendo conforme a luz e as sombras, ou seja, a inativação não causou a cegueira total, apenas aquela que interessa para a ciência, eliminando a capacidade de reconhecimento do alvo induzido por CO2. 

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