Estudo diz que tubarões atacam seres humanos por engano. Entenda!

Cientistas sempre quiseram entender o que leva um tubarão-branco a morder um ser humano. Ao longo dos anos, diversas teorias surgiram, como a de uma possível falta de alimentos. Mas uma pesquisa recente trouxe uma nova explicação para os ataques da espécie contra os seres humanos: a visão equivocada do alimento.

(Fonte: LeicaFoto/ Ocean Health Thindex/ Reprodução)(Fonte: LeicaFoto/Ocean Health Thindex/Reprodução)

A pesquisa, publicada recentemente no Journal of the Royal Society Interface, partiu da ideia de saber como um tubarão-branco enxerga outros animais e os seres humanos abaixo da superfície da água dos oceanos. 

Há algum tempo já se tinha a expectativa de que para os tubarões diferenciar entre um e outro seria um pouco difícil. No entanto, não havia nenhum estudo ou dados sólidos que permitissem saber como esses animais realmente enxergam.

Limitações visuais

Segundo o estudo, os tubarões não enxergam bem as cores, isso quando não são completamente daltônicos. Ainda há um agravante nessa situação, pois eles têm uma resolução espacial bem pior que a dos seres humanos.

(Fonte: PBS. Org/ Reprodução)(Fonte: PBS. Org/Reprodução)

Sendo assim, quando esses animais estão caçando uma presa, dependem significativamente do brilho, contraste e do movimento que eles percebem do alvo. 

Para entender os ataques, especialmente os praticados por tubarões-brancos jovens, dado que são esses os mais envolvidos nesse tipo de situação, os pesquisadores analisaram imagens de vídeos que permitiram saber o que acontece quando eles olham objetos de baixo para cima da superfície da água.

Foram realizadas análises de vídeo tomando como base tanto o ser humano quanto alguns animais em várias situações. Por exemplo, humanos nadando e remando em pranchas, assim como focas e leões marinhos nadando. Após recolhidas as imagens, elas passaram por um filtro de maneira que fosse possível imitar o sistema visual dos tubarões.

A partir disso, os pesquisadores puderam verificar que os mais novos não conseguem distinguir de forma eficiente as diferentes formas de vida que encontram nos oceanos. Para esses caçadores dos mares, as silhuetas das coisas que observam na superfície da água são muito semelhantes, principalmente pela enorme dependência que eles têm da luz e do movimento.

Para os pesquisadores, do ponto de vista do tubarão-branco, nem o movimento visual, nem as pistas que eles conseguem observar, permite que se faça a diferenciação certeira entre pinípedes, que são mamíferos como focas e leões marinhos — e o principal prato dos tubarões —, e o ser humano.

Laura Ryan, a principal autora do estudo, disse em um comunicado à imprensa que são os surfistas o grupo que mais fica vulnerável a ser alvo de mordidas fatais de um tubarão.

Já o professor Nathan Hart, autor sênior da pesquisa, aponta que os grandes tubarões-brancos, além de precisar aprender o que comer, mudam sua dieta alimentar conforme se desenvolvem. Esse fator ajudaria a explicar porque os mais jovens entre esses animais respondem pela maioria das mordidas e mortes. Afinal, os mais velhos, além de enxergar melhor, já sabem identificar com muito mais certeza o que devem ou não integrar sua alimentação.

No final das contas, esse é apenas mais um processo de aprendizagem da natureza e, como tal, sujeito a erros.

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