Mirny: a maior mina de diamantes da Terra que suga aeronaves

Localizada na República de Sakha, na região da Sibéria, no leste da Rússia, a Mina Mirny se tornou um verdadeiro "umbigo" na Terra, com 525 metros de profundidade e 1,2 mil metros de diâmetro, tornando-se um dos maiores buracos escavados do mundo.

Foi durante a Expedição Amakinsky, realizada em 13 de junho de 1955, que os geólogos soviéticos Yuria Khabardin, Ekaterina Elagina e Viktor Avdeenko encontraram grandes depósitos de diamantes na região, após várias expedições fracassadas na década de 1940.

Rapidamente, 2 anos depois, Josef Stalin ordenou que a mina fosse construída no local. Se tudo tivesse dado certo, a construção teria sido a maior e a mais bem-sucedida que o mundo já viu. Contudo, a exploração dela aconteceu sob condições climáticas adversas que dificultaram a mineração devido ao congelamento do solo. 

Quando os meses de verão vinham, no entanto, o solo se transformava em pura lama e afundava tudo o que era erguido sobre estacas. As temperaturas invernais eram tão baixas que os pneus dos carros rachavam e o óleo congelava. Os trabalhadores usaram motores a jato para descongelar e desenterrar o permafrost, chegando a explodir com dinamite para ter acesso ao quimberlito (rocha que pode conter diamantes).

Impacto profundo                          

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Só durante a década de 1960, a Mina Mirny produzia mais de 10 milhões de quilates de diamante por ano, dos quais 20% eram de alta qualidade. Em seu pico de prosperidade, a mina tinha cerca de 4 quilates para cada tonelada de minério, configurando uma das maiores taxas de mineração do mundo. Ao longo de toda a sua atividade, a instalação produziu US$ 13 bilhões para o mundo.

Em 23 de dezembro de 1980, foi encontrada a maior pedra na mina, de cor amarela-limão, pesando 342,5 quilates (68,59 gramas), o maior do país.

Mas o desenvolvimento e o sucesso da mina começaram a levantar suspeitas dos distribuidores pelo mundo, visto que as pedras pareciam boas demais para serem verdade. A empresa De Beers foi a primeira a querer respostas sobre as taxas de produção da mina, a princípio visando determinar os preços do mercado comprando o máximo possível de diamantes. 

No entanto, chegou em certo ponto que os executivos temiam que as taxas de produção da Mina Mirny pudessem ser tão altas que a empresa não fosse capaz de comprar tantas pedras.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Em 1970, os representantes da De Beers solicitaram um tour pela mina para ver a produção. O governo soviético levou 6 anos para aprovar o pedido e, mesmo depois que os homens chegaram ao local, eles enfrentaram resistência das autoridades. Uma vez na mina, eles tiveram apenas 20 minutos para visitar as instalações, tempo insuficiente para obter um panorama de suas funções.

A uma profundidade de 340 metros, em 1990 a produção da mina foi subitamente interrompida, mas só foi fechada para sempre em meados de 2004. As autoridades russas alegaram que houve uma enchente porque a mineração havia passado dos limites.

O buraco que suga

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Então, a Mina Mirny se tornou apenas um vórtice misterioso, um poço que já produziu mais da metade dos diamantes que existem no mundo. O abismo se tornou perigoso para qualquer tipo de aeronave, pois seu tamanho pode ter um impacto devastador no fluxo de ar ao seu redor e em sua temperatura. Na instalação, é mais quente do que naquilo que paira sobre ela, resultando em uma espécie de vórtice do qual não é possível sair, por isso o espaço aéreo naquela região é restrito.

Até hoje a pesquisa na mina continua por meio da empresa Alrosa. Em 2010, a empresa russa AB Elise anunciou planos para construir uma cidade gigantesca e futurística na Mina Mirny, com cerca de 10 mil casas movidas a energia solar.

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