Proximidade genética entre raças de cães aumenta risco de doenças

Seja as curtas patas e o corpo alongado de um Dachshund, seja o focinho encurtado e amassado de um pug, seja o corpo todo pintado de um dálmata, você pode citar inúmeras diferenças entre as variadas raças de cachorro, não é mesmo? Entretanto, a genética que faz cada um desses animais se parecer assim é frequentemente fruto da consanguinidade. E o que isso significa?

A consanguinidade é caracterizada pelo cruzamento de dois indivíduos geneticamente semelhantes — algo bastante comum entre cachorros de raça. E, para piorar a situação, a falta de variedade genética parece afetar diretamente a saúde dos cães, isso é o que diz um novo estudo publicado na Canine Medicine and Genetics.

 Consanguinidade entre cachorros

(Fonte: Shuttertstock)(Fonte: Shuttertstock)

"Embora estudos anteriores tenham mostrado que cães pequenos vivem mais do que os grandes, ninguém havia relatado morbidade ou presença de doença nesses indivíduos. Este estudo revelou que se os cães são de tamanho menor e não consanguíneos, eles são muito mais saudáveis do que cães maiores com alta consanguinidade", relatou Danika Bannasch, autora do estudo e veterinária geneticista na Universidade da Califórnia (Estados Unidos).

Com base na análise de 227 raças de cachorros, a equipe de pesquisadores conseguiu constatar que a taxa de compartilhamento genético entre espécimes chega a 25%, em média, o que seria equivalente ao compartilhamento de material genético que temos com um irmão de mesmo pai e mãe. 

Esses níveis são considerados bem mais altos do que o seguro para a reprodução de humanos e até mesmo de animais selvagens. Em humanos, altos índices de consanguinidade — que ficam entre 3% e 6% — têm sido associados ao aumento da prevalência de doenças complexas, bem como de outras condições.

Doenças complexas

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Segundo os pesquisadores, estudos derivados de outras espécies mostram que fortes laços de consanguinidade costumam ser seguidos de uma maior predisposição para o desenvolvimento de doenças complexas, como câncer e doenças autoimunes. Portanto, o compartilhamento genético entre as raças de cachorro seria realmente perigoso.

Para Bannasch, alguns cães dividem mais ácido desoxirribonucleico (DNA) do que outros por terem populações menores e os seres humanos os forçar a se reproduzirem apenas entre si para que a raça não perca certos traços genéticos. Esse é um problema que acontece principalmente entre espécies criadas para parecem mais "fofinhas" para o público.

Controle populacional de cães

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

O estudo também demonstrou que existe uma maior taxa de mortalidade entre cães de crânio curto do que aqueles de nariz alongado, algo que não era exatamente uma surpresa para os cientistas. Quanto aos problemas causados pela consanguinidade, Bannasch não soube responder se existe uma saída para isso. 

Por mais que novas tecnologias de monitoramento das taxas de compartilhamento genético possam surgir no futuro, a pesquisadora disse em seu artigo que a melhor saída no momento para algumas raças é garantir que suas populações não diminuam nos próximos anos, o que acarretaria uma perda genética ainda maior.

Para as raças que já têm baixo nível de consanguinidade, a cientista ressalta que todos os esforços devem ser feitos para elas continuarem sendo vastas geneticamente.

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